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Só de 2006 a 2010, os clubes terão recebido 27 milhões de euros Estado perde 21 milhões para "pagar" dívidas do futebol

Estado precisa de mais 38 mil milhões este ano

Portugal venceu uma batalha mas não afastou necessidade de recorrer à ajuda externa

13.01.2011 - 07:26 Por Ana Rita Faria

O Estado português conseguiu saltar uma barreira sem tropeçar, mas tem toda uma corrida de obstáculos pela frente.

Apesar da primeira emissão de dívida de médio e longo prazo do ano ter sido bem sucedida, registando maior procura e uma descida dos juros nas obrigações do Tesouro a dez anos, os analistas não acreditam que a pressão dos mercados fique por aqui ou que o recurso à ajuda externa esteja fora de questão.

A emissão de ontem "foi uma barreira que foi ultrapassada de um conjunto de barreiras que se vão deparar à economia portuguesa nos próximos meses", salienta Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI. De acordo com o Orçamento do Estado para 2011, o Estado precisa de emitir mais 38 mil milhões de euros de dívida até ao final do ano, não só para satisfazer as novas necessidades de financiamento, mas sobretudo para amortizar a dívida que vence este ano.

Para os analistas contactados pelo PÚBLICO, a performance da dívida portuguesa estará dependente de um conjunto de ingredientes que, nesta primeira emissão de obrigações do Tesouro, se conjugaram favoravelmente.

Um deles foi o anúncio do Governo de que o défice orçamental seria, afinal, inferior ao previsto (7,3 por cento) em 2010 e de que há uma folga orçamental de 800 milhões de euros no Orçamento do ano passado. Outro é o consenso entre os líderes europeus em torno da necessidade de salvaguardar a união da zona euro.

"O que fez com que Portugal estivesse muito próximo do abismo foi a falta de perspectivas de entendimento na zona euro para salvar Portugal e as desconfianças quanto à execução orçamental do Governo", considera Diogo Teixeira, administrador da Optimize. O responsável da gestora de activos acrescenta que o facto de os líderes europeus terem demonstrado que iriam ajudar Portugal se fosse necessário e a notícia de que o Governo "fez o trabalho de casa" ao reduzir o défice suavizaram a pressão dos mercados e afastaram o risco de o país ter de pedir ajuda imediatamente. "Ganhámos algum tempo, mas isso não quer dizer que estamos fora da zona de risco", conclui, salientando que os maiores testes à capacidade de Portugal se financiar surgirão em Março, mês em que o país terá de fazer "reembolsos significativos de dívida de médio e longo prazo".

BCE sustenta procura

Já Filipe Silva, gestor do mercado da dívida no Banco Carregosa, considera que, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) continuar a comprar dívida dos países periféricos, Portugal tem alguma margem de manobra. "Uma emissão mal-sucedida seria aquela em que não conseguíssemos emitir dívida por não termos a quem vender, como aconteceu na Grécia", salienta o analista.

Mas, além de a ajuda do BCE não ser eterna, as taxas de juro cobradas no leilão de ontem permanecem a níveis muito elevados e são, no médio prazo, insustentáveis. "Portugal continua a pagar muito para se endividar e, por isso, uma possível intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) não está afastada. Aliás, acho mesmo que continuamos mais perto de recorrer à ajuda externa do que o contrário", defende o gestor do Banco Carregosa. A única escapatória possível é "mostrar que o PEC III está a funcionar e provarmos que vamos dar a volta às contas públicas, contendo as despesas e reduzindo o défice" para os 4,6 por cento do PIB este ano.

A pressão aumentou sobretudo no passado fim-de-semana, depois de a imprensa internacional ter noticiado que a França e a Alemanha estariam a pressionar Portugal a seguir o mesmo caminho da Grécia e da Irlanda, ou seja, pedir ajuda a Bruxelas e ao FMI, desde logo para evitar um contágio à Bélgica e à Espanha.

A ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde, voltou ontem a negar que haja alguma "conspiração da França e Alemanha para forçar Portugal" a pedir ajuda do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Já a chanceler alemã, Ângela Merkel, aproveitou para voltar a tranquilizar os mercados, ao garantir que "a Alemanha vai fazer o que for necessário para que o euro permaneça estável".

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Comentário + votado

Carta aberta Aos que pensam que gostam do FMI....

Caros co-comentadores: Alguem realmente sabe o que é o FMI??? Na realidade?? Muitos me parecem ...

Mário Calvete

13.01.2011 09:49