O presidente da Euronext Lisbon, Miguel Athayde Marques, admitiu que a situação portuguesa tem "contornos preocupantes", mas considerou um "grande exagero" a análise da agência de notação financeira Standard & Poor's (S&P).
"Na minha opinião há, de facto, um grande exagero na análise que a S&P fez da situação da República Portuguesa, não porque esta não seja preocupante, mas ]porque] toda a Europa está a sofrer do apoio que foi dado às economias no período de crise que vivíamos há 18 meses atrás", afirmou o presidente da Euronext Lisboa. "Tratava-se de uma crise sem pretendentes, em que foi necessário apoiar as economias. Foi necessário fazer algo para que não se passasse de uma gravíssima recessão para uma depressão, que foi possível evitar", disse, acrescentando ser "natural que esse preço se esteja a pagar hoje e se vá pagar nos próximos meses".
Miguel Athayde Marques falava à margem da cerimónia de Toque do Sino dedicado à Literacia Financeira, que decorreu no edifício da Euronext Lisbon, em Lisboa. No caso concreto de Portugal, referiu o presidente da Euronext Lisbon, "a situação tem contornos preocupantes, mas Portugal não está sozinho nesta situação".
"Os mercados estão a reagir à situação da Grécia, que é incomparavelmente pior do que todas as outras e está a colocar uma perspetiva de contágio no mercado português e na Zona Euro", afirmou.
A agência de notação financeira S&P cortou na terça feira em dois níveis o rating de longo prazo da dívida portuguesa, de A+ para A-. Na sequência deste corte, o principal índice da bolsa portuguesa, o PSI 20, acelerou a suas quebras e fechou a perder 5,36 por cento, a maior quebra desde outubro de 2008.
A agência de rating havia cortado em janeiro do ano passado o 'rating' de longo prazo da República Portuguesa de AA- para A+ e em dezembro colocou a economia portuguesa sobre um Outlook (perspetiva) negativa.
Esta decisão surgiu numa altura em que os mercados financeiros estão a penalizar Portugal, essencialmente devido às hesitações dos parceiros europeus quanto à finalização do apoio financeiro à Grécia.
Nas últimas semanas Portugal tem estado no centro das preocupações, quanto a um eventual incumprimento, levando o spread da dívida pública.



