Presidente de rating brasileira vê com “muito optimismo” situação portuguesa 
29.04.2010 - 09:57 Por Lusa
O presidente da SR Rating (a primeira agência de classificação de risco do Brasil) mostrou-se hoje, em Coimbra, “muito optimista” quanto à situação financeira de Portugal, abalada pelo corte em dois níveis do “rating” de longo prazo da dívida.
Paulo Rabello de Castro considerou que “Portugal tem perfeitas condições” para não chegar à situação da Grécia, desde que esteja “preparado para fazer alguns ajustes fiscais e passar a limpo toda e qualquer actividade sob o plano da eficiência do gasto” no sector público.
“Vejo com muito optimismo o momento de delicadeza português, porque Portugal encerra um ciclo de investimentos que começou em 1986, quando aderiu à Comunidade Europeia, e agora chega a sua maturidade económica, onde tem de desmamar”, afirmou o responsável aos jornalistas, à entrada para um debate na Faculdade de Economia de Coimbra.
Segundo o economista, Portugal precisa de flexibilizar pagamentos e remunerações e olhar para soluções financeiras, “ter uma política que já não seja só de recebedor de verbas mas também de encaminhador de soluções a nível europeu”.
Reclassificação “vergonhosa”
Quanto ao comportamento das agências de “rating” americanas nos últimos dias, Paulo Rabello de Castro disse que chega a ser “vergonhosa a reclassificação de países e empresas em cima da hora, depois de os mercados terem pressionado determinadas acções”.
“Os movimentos de classificações, principalmente riscos soberanos, têm de ser feitos quando há calma nos mercados e quando, com toda a tranquilidade, se avalia a situação fiscal e monetária dos aspectos do crescimento e políticos da capacidade e vontade de pagar”, explicou o presidente da SR Rating.
Para o economista, só nessa situação se avalia um país, “não é quando os mercados estão temperamentais como estão agora”. “Isso só faz atrapalhar ainda mais uma avaliação correcta das hipóteses de pagamento deste ou de qualquer país”, frisou.
O economista brasileiro defendeu ainda a aposta em investimentos públicos, como o TGV ou um novo aeroporto, desde que acompanhados por uma diminuição de gastos correntes.


