• Roupa interior para se usar no exterior
  • Os nossos viajantes trocam cartas entre Macau e Rio
  • Veja o que vai mudar no centro de Lisboa
PSI20
X

Mais em Economia (7 de 34 artigos)

Brasileira TAM entra na Star Alliance e reforça poder da maior aliança do mundo na aviação

O vulcão não ajudou, gerando perdas de 9,5 milhões

Presidente do Turismo do Algarve: a solução para a região "não é baixar preços"

10.05.2010 - 08:17 Por Raquel Almeida Correia

<p>Nuno Aires</p>

Nuno Aires

 (Melanie Maps)
O presidente do Turismo do Algarve acredita que este ano será "ligeiramente melhor" do que 2009, embora admita que está a ser "optimista". À crise somam-se, agora, os impactos da nuvem de cinzas vulcânicas, que poderá regressar no Verão - a época que mais contribui para as contas da região. As low-cost, que já representam 70 por cento do tráfego no aeroporto de Faro, continuam a ser a aposta. Trazem novos turistas, compensando a perda registada no maior mercado emissor, o Reino Unido.

O Algarve tem perdido turistas estrangeiros. O que está a ser feito para inverter esta situação?
O Algarve estagnou ao nível do número de turistas. Isso tem a ver com uma concorrência cada vez mais forte e diversificada a nível internacional e com o facto de o nosso principal mercado emissor, o britânico, ter perdido poder de compra devido ao enfraquecimento da libra. É fundamental diversificar os mercados emissores. A estratégia aponta para novos mercados, como a Escandinávia e o Benelux, mas também para os de maior proximidade, como o espanhol e o nacional. Estamos e queremos trabalhar com novas rotas aéreas que nos permitam trabalhar esses mercados.

Que tipo de turista procuram?
Queremos obviamente turistas com poder de compra, que tenham gosto pela natureza e que reconheçam neste destino qualidade. O Algarve, neste momento, encontra-se numa mudança de paradigma. A operação clássica dominou o negócio durante as últimas décadas, mas, hoje em dia, existe também um movimento de directos, que vêm através das low-cost, que marcam as viagens através da Internet. É uma mudança que está a deixar algumas marcas, mas que poderá ter vantagens, em termos de qualidade.

A recuperação do turismo é essencial para travar os elevados índices de desemprego na região?
Sim. Há uma correspondência directa entre a performance do destino e o desemprego. O facto de existir essa mudança de paradigma, pode ajudar. A operação tradicional permitia a um hoteleiro programar com antecedência, contratar a tempo equipas. O facto de, hoje em dia, não haver tanto controlo, leva a que seja difícil medir a operação a um longo período de distância e adaptar os recursos humanos a essas necessidades. É verdade que o ano de 2009 foi muito difícil. Para este ano, a expectativa é de crescimento, ainda que tímido.

Pode concretizar melhor as expectativas para 2010?
Estamos presentes nas principais feiras internacionais e em contacto permanente com os operadores, o que nos permite avaliar a performance do destino e dizer, a uma distância mais ou menos confortável, como se irá comportar. A verdade é que, na principal feira internacional, em Londres, não havia absolutamente sinais nenhuns de recuperação. Em Espanha, também não se sentiu grande movimento. Mas, na feira de Berlim, já se voltou a sentir alguma confiança nos mercados. Acredito que o nosso desempenho durante o Verão irá ser melhor do que o do ano passado, ainda que muito aquém do que gostaria.

Não são essas expectativas dos operadores e dos hoteleiros, que temem um ano ainda pior...
Eu prefiro ser moderadamente optimista.

Não será melhor ser realista?
Também, obviamente. Este ano vai ser ligeiramente melhor. É uma esperança de uma recuperação muito tímida, mas com alguns sinais de recuperação.

É previsível que as cinzas vulcânicas regressem no Verão. Receia uma quebra nas receitas por causa do receio de viajar?
É possível que haja esse efeito, não só no Algarve. O facto de ter provocado alguma ansiedade e algum receio de voar pode vir a provocar alguns danos. Dos cálculos que já temos, com base em comparações com os dados do ano passado, chegámos à conclusão de que tivemos prejuízos entre 9 milhões e 9,5 milhões de euros com os seis dias de restrições ao tráfego aéreo, em Abril, o que é significativo porque estamos numa época de arranque da operação do Verão.

As low-cost vão dar um contributo importante ou será que acabam por trazer turistas com menos poder de compra?
Isso é um mito urbano. A verdade é que já não há um equilíbrio entre a tradicional operação turística e as low-cost. Se olharmos para os números do aeroporto de Faro, 70 por cento do tráfego é low-cost. Há, de facto, um desequilíbrio. O que gostaríamos de ver era um maior equilíbrio entre os voos charter e as low-cost. Preferia que tivéssemos um cenário desses, mas entre o cenário que temos e nada, prefiro ter as low-cost.

Estão a negociar novas rotas com as low-cost ou a entrada de novos operadores?
Este ano foi marcado por acordos muito expressivos com a Ryanair e com a Easyjet. A abertura da base da Ryanair foi a melhor notícia que o Algarve poderia ter este ano porque significa mais turistas, mais passageiros de novos mercados e menos dependência do mercado britânico. Estão sempre a ser negociadas novas rotas e vão abrir mais ainda este ano. Para já, a próxima é uma rota que já estava prevista há muito tempo mas que nunca foi concretizada. A partir do próximo mês, a SATA irá passar a operar rotas entre Ponta Delgada, o Funchal e Faro. E estão a ser negociadas outras ligações, à Alemanha, sobretudo, e aos países nórdicos.

Os hoteleiros têm vindo a baixar os preços para resistir à crise. Será a melhor estratégia?
Eu senti necessidade de enviar uma mensagem aos hoteleiros, dizendo que a nossa competitividade não aumenta por termos uma política de preços agressiva. A solução para o Algarve não é baixar os preços. É aumentar a qualidade. Não podemos concorrer com outros destinos que estão a praticar preços muito mais baixos. Temos de ter uma política de preço bem enquadrada no mercado, sem pôr em causa a qualidade.

Se sentiu necessidade de fazer o alerta é porque os preços estavam, de facto, a baixar...
Sim, sentiu-se. E é natural. Todos nós sabemos que, num momento crítico como este, as tesourarias das empresas estão a sofrer e é natural que seja necessário tomar medidas mais drásticas.

Além da redução dos preços, a crise também tem travado projectos na região?
Alguns projectos, menos de uma dezena, foram reequacionados, sobretudo no timing de execução, o que também é natural, dado o contexto difícil em que nos encontramos. Mas também há cada vez mais investidores interessados no Algarve e continuam a abrir unidades hoteleiras, como a de Sagres e a que vai abrir dentro de dias em Olhão.

Ultimamente, o Governo não tem falado tanto do Algarve, mas mais do Alentejo, região para a qual perderam o torneio de golfe Ryder Cup. Sentem-se deixados para segundo plano?
Não acho nada disso. O Algarve é um destino turístico maduro. O Alentejo está a dar os primeiros passos, mas tem condições óptimas para se desenvolver. Em relação à Ryder Cup, o corolário normal para um destino de golfe como o Algarve era que terminasse a organizar essa prova, que é o principal torneio de golfe do mundo. Por isso, estranhámos que a candidatura portuguesa aparecesse com o projecto da Herdade da Comporta, no Alentejo, como candidato. Parece-nos que a candidatura sai fragilizada e que, em termos de estratégia do turismo nacional, não ficámos a ganhar.

  • 23 leitores
  • 14 comentários

Video

URL desta Notícia

http://publico.pt/1436342

Comentário + votado

A ver vamos...

Analisando apenas um dos factos a que o Sr. Nuno Aires se refere, pode-se entender que de facto a ...

Diogo Borges

10.05.2010 11:08