Prestação do crédito à habitação custa mais 26 euros por mês no próximo semestre 
01.04.2011 - 07:34 Por Rosa Soares
Aumento refere-se para uma simulação de um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos
(Ricardo Silva)As taxas Euribor estão a subir de forma acelerada e a factura está a chegar às empresas e às famílias que têm empréstimos à habitação associados a este indexante.
Os contratos de crédito à habitação com revisão este mês vão implicar aumentos significativos e a tendência deverá agravar-se, porque o Banco Central Europeu (BCE) deverá subir as suas taxas directoras já na próxima semana.
Os contratos de empréstimo à habitação a rever em Abril vão utilizar as médias de Março, que subiram significativamente face ao mês anterior. A subida é ainda mais significativa face à ultima revisão desses mesmos contratos. Fazendo uma simulação de um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos, indexado à Euribor a seis meses (média de Março), e com um spread (margem do banco) de 0,7 por cento, verificamos que a prestação mensal passará a ser de 568,26 euros. Esta mensalidade aumenta, assim, 25,98 euros face à que era liquidada desde a última revisão, que ocorreu em Outubro do ano passado. Até à próxima revisão, no próximo mês de Outubro, o aumento acumulado da prestação é de 155,88 euros.
A simulação do mesmo empréstimo, mas indexado à Euribor a três meses, implica um aumento da prestação mensal em 11,36 euros. Até à próxima revisão, ou seja, dentro de três meses (o prazo da revisão do contrato é sempre igual ao do prazo da Euribor), este empréstimo vai pagar mais 34,08 euros.
Salto significativo
As médias das taxas Euribor registaram um salto significativo em Março e a tendência deverá agravar-se. A média da Euribor a três meses ficou em 1,176 por cento, contra 1,087 de Fevereiro. Esta média está bem longe dos 0,645 de Março do ano passado, altura em que atingiu o mínimo histórico, que representa quase metade do valor actual.
A média da Euribor a seis meses, o prazo mais utilizado em Portugal como indexante no crédito à habitação, ficou em Março em 1,483 por cento, contra 1,352 por cento do mês anterior. Em Março do ano passado, a média mensal deste referencial atingiu o valor mais baixo de sempre, nos 0,952 por cento, o que revela um crescimento de 55 por cento face ao valor actual.
A média da Euribor a 12 meses subiu de 1,714 por cento (Março) para 1,924 por cento.
Apesar da subida já acumulada, as taxas estão longe dos máximos de 5,113 por cento (três meses) e 5,1219 por cento (seis meses) de Setembro e Outubro de 2008, que tiveram como efeito uma quase duplicação da prestação mensal a pagar ao bancos pelo empréstimo.
A subida das taxas Euribor começou há um ano, mas acentuou-se mais em 2011 e, especialmente, no último mês, devido ao anúncio, por parte do Banco Central Europeu, de que poderá aumentar as suas taxas directoras na reunião da próxima quinta-feira.
A subida dos valores de referência do BCE, cuja principal taxa, a do refinanciamento aos bancos, está em 1,0 por cento desde Maio de 2009, visa controlar a inflação na zona euro, que subiu significativamente nos últimos meses.
O mercado monetário, onde se fixam as taxas Euribor, a partir de intenções de empréstimos entre bancos, esperava uma subida das taxas de referência do BCE mais próximo do final do ano. Como sempre acontece, o mercado antecipa o aumento do custo do dinheiro a praticar pelo Banco Central Europeu.
O ritmo das próximas subidas das taxas Euribor será determinado, em grande medida, pelas expectativas que o BCE criar em relação a próximos movimentos.
Ontem, Juergen Stark, membro do BCE, disse que é tempo de subir a taxa de juro da autoridade monetária da zona euro, defendendo que o mínimo histórico de 1,0 por cento é desadequado, porque "propicia o comodismo".
A possibilidade de subida das taxas de juro por parte do BCE foi colocada a partir do momento que a inflação na zona euro começou a subir, o que voltou a acontecer em Março.
De acordo com uma primeira estimativa, ontem divulgada pelo Eurostat, os preços na zona euro terão subido 2,6 por cento em Março, ampliando a distância face ao máximo de 2 por cento que o BCE considera corresponder à "estabilidade de preços" que tem por missão garantir. A taxa de inflação em Fevereiro foi de 2,4 por cento e 2,3 em Janeiro, pelo que o rimo de crescimento de Março deverá ser o mais rápido desde Outubro de 2008.
com Paulo Miguel Madeira


