“A perspectiva será sempre uma certeza mais grave em relação ao futuro que aí vem”, diz Jerónimo de Sousa
(Foto: Enric Vives-Rubio)O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou nesta quarta-feira que as estimativas da Comissão Europeia para a economia portuguesa são o “resultado lógico” de uma política do Governo que torna o país “pior agora” para ficar “ainda pior” no futuro.
Para Jerónimo de Sousa, as estimativas europeias agora conhecidas são a “demonstração de que esta política de aplicação do pacto de agressão em que se desvaloriza o investimento público, se desvaloriza o emprego, se desvaloriza o aparelho produtivo e a produção nacional, em que tudo está virado para impor sacrifícios, não conduzem a lado nenhum a não ser às injustiças”.
“Inevitavelmente, essas perspectivas são o resultado lógico de uma política que podia ser ficarmos pior agora e vamos ficar melhor mais à frente, mas a vida está a confirmar que estávamos pior e vamos ficar pior caso continue esta aplicação cega, brutal, do pacto de agressão [o programa de ajustamento financeiro]”, acrescentou o líder comunista, em declarações aos jornalistas no final de uma reunião com uma delegação da CGTP, na sede do PCP, em Lisboa.
Jerónimo de Sousa disse também que “não é preciso nenhum rasgo” para perceber que sem “uma política de desenvolvimento, de crescimento económico, de favorecimento do aparelho produtivo e da produção nacional” e de “afirmação da própria soberania” nacional, “inevitavelmente, o resultado é esse”.
“Gostaríamos de não ter razão”
“Por enquanto, a perspectiva será sempre uma certeza mais grave em relação ao futuro que aí vem”, acrescentou, considerando ainda que a política do Governo se traduz em ver “nos direitos dos trabalhadores, nos salários, nas reformas e nas pensões um mal a abater”.
Para Jerónimo de Sousa, “confirma-se” aquilo para que o PCP tem alertado. “Já dissemos isto ao primeiro-ministro, gostaríamos de não ter razão”, afirmou.
Segundo os dados divulgados por Bruxelas, Portugal vai sofrer em 2012 uma contracção de 3,3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) – mais grave do que a quebra de 1,5% de 2011, e a segunda mais profunda da União Europeia este ano (a seguir à Grécia, cuja economia encolherá 4,4%). A Comissão Europeia prevê ainda que o emprego em Portugal “continue a reduzir-se” em 2012, “acompanhando o declínio da actividade económica”.



