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Primeiro-ministro diz que “não há nenhum problema” com sistema financeiro português

03.02.2012 - 22:31 Por Lusa

<p>Passos disse que fará tudo para que não haja um segundo resgate</p>

Passos disse que fará tudo para que não haja um segundo resgate

 (Daniel Rocha)
O primeiro-ministro, Passos Coelho, afirmou hoje que os bancos portugueses estão em melhores do que a maioria dos bancos europeus e que não há problemas com o sistema financeiro português.

"Gostava de dizer aos portugueses que os bancos portugueses se encontram em melhores circunstâncias que a generalidade dos bancos europeus, sobretudo em países que apresentaram maiores dificuldades”, afirmou Passos Coelho.

À saída da cerimónia de aniversário da Associação Industrial Portuguesa (AIP), o primeiro-ministro foi confrontado com os prejuízos apresentados pelos bancos e declarou: “Não temos nenhum problema com o nosso sistema financeiro, ao contrário do que aconteceu com outros países na Europa”.

“De acordo com as auditorias que tiveram lugar e que se desenvolveram no âmbito do programa de assistência económica e financeira, chegou-se à conclusão de que as necessidades de recapitalização dos bancos portugueses são inferiores às de muitos outros bancos em países europeus”, disse o primeiro-ministro.

“Significa, portanto, que, quer o processo de recapitalização que eles próprios estão a desenvolver, quer o facto de Portugal dispor de 12 mil milhões de euros de financiamento público para essa recapitalização, caso seja necessário, permite-me dizer a todos os portugueses que não temos nenhum problema com o nosso sistema financeiro, ao contrário do que aconteceu com outros países na Europa”, acrescentou.

Passos afirmou que “os bancos portugueses apresentaram resultados negativos em consequência de, em primeiro lugar, desempenhos que estão associados à transferência dos fundos de pensões da banca para o Estado português, mas também, evidentemente, em resultado da situação que se tem vivido e que penaliza também, ao contrário do que muitas vezes se pensa, os próprios bancos”.

Questionado sobre diversos artigos que, na imprensa internacional, aludiram esta semana, à eventualidade de Portugal precisar de um segundo resgate, o chefe de Governo disse que fará “tudo para que isso não aconteça”.

Mais detalhado em termos económicos, Passos Coelho referiu: “Existe a seguir à decisão que foi anunciada pela Standard and Poor’s de fazer o downgrade da dívida portuguesa, uma pressão no mercado secundário, nos títulos de dívida pública portuguesa”.

“Esse mercado é extremamente ilíquido, quer dizer, a maior parte das vezes não tem sequer transacções, pelo que não tem grande significado o facto de as yields [juros] terem subido excessivamente na sequencia desse anúncio da Standard and Poor’s e, em particular, das especulações sobre o que vai acontecer ou não com o financiamento da Grécia”, acrescentou.

Manifestando confiança no cumprimento das metas, o primeiro-ministro disse que, “caso alguma coisa de mal ocorra, na Grécia ou noutro país” o apoio a Portugal “será tanto maior” quanto “mais sucesso” apresentar no cumprimento do programa.

O primeiro-ministro criticou “todos aqueles que hoje em Portugal, sobretudo à esquerda, vem insistindo que é preciso reestruturar a dívida e renegociar a dívida”, porque “isso significaria, que a austeridade e os sacrifícios que o país precisaria de fazer seriam ainda maiores”.

Na intervenção que proferiu na cerimónia de aniversário da AIP, o primeiro-ministro reconheceu os problemas de financiamento das empresas, considerando que para os solucionar é também necessário o cumprimento do programa de consolidação orçamental.

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