Privados contestam atribuição de bónus à gestão de José Penedos 
15.03.2010 - 15:07 Por Lusa, PÚBLICO
As outras propostas na ordem de trabalhos da assembleia geral foram aprovadas sem votos contra
(Miguel Madeira (arquivo))A Parpública propôs que os administradores executivos da empresa, incluindo o ex-presidente José Penedos, constituído arguido no processo Face Oculta, recebam um bónus relativo ao exercício de 2009. Os accionistas privados votaram contra na assembleia-geral de hoje, mas o Estado detém a maioria do capital, pelo que a medida foi aprovada.
A Logoenergia foi um dos accionistas privados que votou contra a atribuição de prémios aos administradores executivos, confirmou ao PÚBLICO Filipe de Botton.
Sem personalizar, o empresário considerou "inaceitável" a atribuição de prémios "a um conselho executivo que não soube antecipar e salvaguardar a REN dos problemas que vieram a acontecer com a O2", a empresa de Manuel Godinho, o empresário no centro da investigação do Face Oculta.
O presidente da Logoplaste (que detém a Logoenergia) disse ainda que "o prejuízo efectivo" que a O2 causou à REN "é quanto baste para que estes administradores executivos devam ter um prémio zero".
Ainda assim, e apesar de estar contra a distribuição de prémios relativos a 2009, por circunstâncias extraordinárias relativas ao Face Oculta, Filipe Botton disse também ter votado contra o facto de o Estado pretender reduzir para metade os montantes dos prémios dos gestores, isto porque alguns dos administradores já estão a meio de um mandato.
"É uma questão estrutural; a meio do jogo não se mudam as regras", defendeu o empresário, vincando nada ter a opôr a uma eventual redução, desde que conhecida antes do início de um mandato.
Até agora os prémios dos gestores da REN tinham um máximo equivalente a 12 salários e esse tecto passa para seis ordenados. Esta decisão é retroactiva ao ultimo ano de mandato de José Penedos e vai afectar o mandato de Rui Cartaxo, que termina em 2012.
O empresário sublinhou nada ter a opôr à redução dos prémios num início de mandato, mas considera que "a meio do jogo não se devem mudar as regras", referindo-se aos administradores que entraram em funções com o pressuposto de que os prémios poderiam chegar aos 12 ordenados.
A estrutura accionista da REN inclui 51,1 por cento do Estado, através dos 3,9 por cento da Parpública, dos 46 por cento da Capitalpor (detida por sua vez pela Parpública) e dos 1,2 por cento da Caixa Geral de Depósitos. O controlo público foi fundamental para fazer passar as duas propostas.
Entre os privados conta-se a Logoenergia (subsidiária da Logoplaste), que detém 8,4 por cento, a Gestfin SGPS (5,2 por cento), bem como a EDP, a Oliren e a Red Electrica de España, todas com cinco por cento. Os restantes 20,3 por cento estão em bolsa.
As outras propostas na ordem de trabalhos da assembleia geral foram aprovadas sem votos contra.
Actualizado às 17.30 horas


