Problema dos “bancos demasiado grandes para falirem” tem de ser resolvido, defende a Fed 
02.09.2010 - 18:39 Por Lusa
O presidente da Reserva Federal norte-americana, Ben Bernanke, afirmou hoje que a grande lição do “caos” registado nos mercados financeiros em 2008 deverá ser resolver urgentemente o problema das instituições financeiras demasiado grandes para falirem.
“Simples declarações de que o governo não vai apoiar estas firmas no futuro, ou restrições que tornem mais difícil disponibilizar ajuda, não serão credíveis só por si”, disse Bernanke, defendendo perante a Comissão de Inquérito à Crise Financeira, em Washington, o avanço da regulamentação.
“Se a crise tem uma lição única, é de que o problema dos `grandes demais para cair´ tem de ser resolvido”, afirmou.
Bernanke defendeu que a reforma da legislação financeira nos Estados Unidos (Dodd-Frank), juntamente com as renegociações do acordo de Basileia sobre requisitos de capital e liquidez das instituições financeiras constituem uma estratégia para lidar com o problema dos chamados “too big to fail”.
A legislação dá ao governo a autoridade para lidar com bancos “aflitos” e com grandes firmas financeiras cujo colapso poderia colocar em perigo a economia norte-americana.
“Em primeiro lugar, a propensão para tomada de riscos excessivos por firmas grandes, complexas e interligadas tem de ser grandemente reduzido”, sublinhou.
Entre as ferramentas para este fim estão requisitos de capital e liquidez, nomeadamente para firmas consideradas “sistemicamente críticas”, e ainda regulação e supervisão mais apertada das maiores, incluindo restrições sobre actividades e na estrutura de pacotes de remuneração, que frequentemente encorajam a tomada de riscos excessivos, além de medidas para aumentar a transparência e disciplina do mercado.
“A supervisão das maiores firmas tem de levar em conta não só a sua segurança e robustez, mas também os riscos sistémicos que colocam”, afirmou.
“Está a ser implementado um novo regime que permite ao governo lidar com uma firma financeira aflita e sistemicamente importante, de uma forma que evita a liquidação desordenada que impõe perdas aos credores e accionistas. Garantir que o novo regime é operacional e credível será um desafio crítico para os reguladores”, disse o presidente da Fed.
Para Bernanke, o custo da queda de uma grande firma depende também da resistência do próprio sistema financeiro à sua volta, e a recente reforma da legislação financeira norte-americana contém medidas positivas no sentido do aumento da transparência e supervisão dos acordos com derivativos.
As lições a extrair da Comissão serão importante para mitigar futuras crises, mas, avisou, não as afastará por completo, porque o crédito “envolve a tomada de riscos”.
Segundo o presidente da Fed, “para alcançar ao mesmo tempo um crescimento e estabilidade sustentável, precisamos de um enquadramento que promova uma combinação apropriada de prudência, tomada de risco e inovação no nosso sistema financeiro”.


