O presidente da Associação de Orizicultores de Portugal (AOP), Carlos Laranjeira, acusou hoje o sector da distribuição de violar a lei no que ao comércio de arroz de marcas brancas diz respeito.
“Não há uma única marca branca que esteja a cumprir a lei. Mistura-se arroz vindo sabe-se lá de onde e em que condições”, afirmou Carlos Laranjeira, em Montemor-o-Velho, durante um colóquio sobre o setor agrícola no Baixo Mondego.
O dirigente da associação de produtores criticou a “atitude suicida”da indústria e distribuição para com o produto nacional, ao lançar “arroz mais barato no mercado”, através de “um conjunto de batotas”, argumentou. “Ao misturar carolino fraco com agulha fraco é possível baixar o preço do arroz”, exemplificou.
Para além de apontar a alegada origem indeterminada do arroz de marca branca vendido nas superfícies comerciais, Carlos Laranjeira assegura que, em Portugal, “ninguém sabe” a quantidade importada daquele cereal. Carlos Laranjeira admite, no entanto, que os 26 mil hectares de área de produção existentes que representam de uma produção 165 mil toneladas de arroz em casca “não dão para o consumo nacional”. Ainda segundo o dirigente da AOP, os produtores portugueses vendem o arroz “mais barato do Mundo”.
“Dizem-nos [os distribuidores] que andam aflitos com os países do Terceiro Mundo que não respeitam o ambiente e produzem sabe-se lá em que condições de higiene”, afirmou.
“Deixem-se de tretas”, disparou, defendendo a alteração da legislação vigente “feita à medida da grande distribuição”. O colóquio sobre o sector agrícola no Baixo Mondego decorre durante a tarde de hoje e precede a abertura da 8ª edição do Festival do Arroz e da Lampreia. A sessão de encerramento deverá contar com a presença do ministro da Agricultura, António Serrano.



