PSD e CDS consideram desvio nas contas "grave e catastrófico" 
30.09.2011 - 13:24 Por Sofia Rodrigues
Miguel Frasquilho lembrou que há cortes na despesa adicionais que o Governo vai concretizar
(Foto: Pedro Cunha/arquivo)É "grave" e "está muito acima do objectivo" assumiu hoje o deputado do PSD Miguel Frasquilho sobre o desvio nas contas públicas que representa quatro mil milhões de euros. Para este desvio, admitiu o social-democrata, o buraco da Madeira contribuiu com um quarto e os restantes três quartos resultam de "uma má execução orçamental".
O deputado afirmou ser "absolutamente realista [chegar ao fim do ano com défice de 5,9%] porque o Governo mal tomou posse começou a tomar medidas corretivas para que esse défice pudesse ser atingido e mesmo nos meses que faltam o Governo tratará de tomar as medidas consideradas necessárias para que esses 5,9 possam ser atingidos".
Questionado sobre se as medidas já previstas no memorando da troika e as que já foram anunciadas pelo Governo chegam para cumprir o objectivo do défice no final do ano, Miguel Frasquilho disse esperar que sim e lembrou que há cortes na despesa adicionais que o Governo vai concretizar.
Pelo CDS, o deputado Adolfo Mesquita Nunes lembrou, por sua vez, que este desvio "é uma herança catastrófica" dos socialistas e mostra que "as medidas extraordinárias" eram afinal necessárias. E disse que chegar ao objectivo dos 5,9% "vai ser mais complicado".
O deputado do PCP, Honório Novo, alertou para o risco de o "Governo se aproveitar, como parece que está e a reboque da consequência dos planos de austeridade anunciar novas medidas ainda este ano, além do que já anunciou ao nível da carga fiscal e nos cortes das prestações sociais e com o que tem a ver com a capacidade do poder de compra dos portugueses".
Os socialistas reconhecem que há desvio, mas consideram que os dados do INE sobre o défice são "incompletos". "Não sabemos a natureza do desvio e a quem é que é imputável. Se à Madeira, ao BPN ou às empresas públicas", disse esta manhã o deputado socialista no Parlamento, em reacção aos números hoje divulgados pelo INE que situam o défice público em 8,3% do PIB.
Para a deputada Catarina Martins, do BE, dados mostram que "a austeridade é um ciclo recessivo de caminho para o abismo".
Notícia actualizada às 16h18


