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Paul De Grauwe, professor da Universidade de Lovaina

"Quando se é do Sul, é-se menos credível"

28.04.2010 - 07:26 Por Isabel Arriaga e Cunha, Bruxelas

Paul De Grauwe, professor da Universidade de Lovaina e um dos maiores especialistas da união monetária europeia, fustiga as agências de notação e a intransigência da Alemanha.

O corte do rating da dívida portuguesa é justificado?
Não, mas é o comportamento típico das agências de notação, que reagem aos mercados. Como as taxas de juro aumentaram nos últimos dias, as agências cortam os ratings, o que só desestabiliza os mercados. Fazem sempre isto, é uma vergonha. O poder desta gente deveria ser restringido.

Pensa então que não se pode comparar a situação portuguesa com a grega?
Claro que não. Portugal está em muito melhor situação que a Grécia. O défice orçamental é elevado, mas no Reino Unido ou Irlanda ainda é maior. A dívida também é muito mais baixa do que na Grécia, é comparável à da Bélgica. Só que as agências não reparam na Bélgica, só reparam em Portugal.

E porquê?
Porque há um preconceito no mercado, do tipo: “Ah, são do sul da Europa? Então deve haver alguma coisa errada, não são de confiar.”

Isso é racismo?
Não sei como lhe chamar, mas é um comportamento típico. Quando se é do Sul, é-se menos credível. As agências são muito anglo-saxónicas.

Se a Alemanha tivesse sido mais positiva desde o início dos problemas da Grécia, teria sido possível evitar esta crise?
Claro, mas a Alemanha não quer fazer nada. Angela Merkel não quer dar um euro antes da eleição de 9 de Maio, e nem sequer é claro o que é que fará depois. Os alemães estão completamente contra dar dinheiro [à Grécia]. Não se opuseram a dar dinheiro aos bancos alemães, que fizerem coisas bem piores que os gregos.

Qual é a saída da crise?
Há umas semanas, ou meses, pensei que uma acção determinada dos países da zona euro poderia ter evitado isto, mas não aconteceu, o que torna tudo muito mais difícil. A dada altura, Portugal vai ser forçado pelos mercados a anunciar um novo programa de cortes orçamentais. Não há grande alternativa, porque a zona euro decidiu não lutar. Mas é uma história muito triste.

Texto actualizado às 12h36

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Almoço é um direito

caro sdf, ao almoço é que se fazem os negócios. Os povos do norte não ...

Joao

30.04.2010 20:57