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Revista de imprensa: destaques do "Diário Económico"

Director-geral da Peugeot para o Sul da Europa

Rafael Prieto: "Portugal deve incentivar a compra de automóveis híbridos"

14.03.2011 - 07:42 Por Inês Sequeira

 (Nuno Ferreira Santos/ arquivo)
Rafael Prieto é director-geral da Peugeot numa zona que inclui Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Turquia. Diz que as marcas automóveis vão ter de se reconverter rapidamente a novas tecnologias, perante a possibilidade de um novo choque petrolífero.

Quanto à fábrica da PSA em Mangualde, considera que "são melhores as promessas [de vida] de curto prazo consecutivas do que as de longo prazo não cumpridas".

Como é que vê a indústria automóvel daqui a dez anos?
Esse é um grande compromisso de tempo. Nos próximos dez anos, a indústria automóvel vai ter de fazer face possivelmente a um novo choque petrolífero, o que é capaz de acelerar um bocado a chegada de novas tecnologias que estão já no portfolio de grande parte dos construtores, como o carro eléctrico, as viaturas híbridas, os biocombustíveis. Vamos enfrentar um novo preço-base do petróleo que vai reconfigurar a economia dos países desenvolvidos.

O futuro é o carro eléctrico?
Não acredito muito em grandes revoluções. Mas é muito provável que os cenários elaborados de que, em 2015, cinco por cento dos carros vendidos na Europa seriam eléctricos e que outros dez por cento seriam híbridos se multipliquem por dois. No que respeita ao grupo PSA, e em concreto à Peugeot, não temos medo de enfrentar desafios quer no carro eléctrico, quer nos veículos híbridos, nos biocarburantes ou na eficiência dos motores actuais. A tecnologia de stop & start, mecanismo a que chamamos micro-hibridação, é um exemplo.

Mas um carro eléctrico acaba por ser ainda mais eficiente e é adequado para as cidades.
Quando perguntamos a alguém se quer ser pobre ou rico, todos querem ser ricos. A solução dos máximos é sempre a melhor, mas há um percurso intermédio para lá chegar. O carro eléctrico ainda não chegou à tecnologia e ao controlo dos custos de forma a ser acessível a uma grande quantidade de gente. Ainda não ultrapassámos aquilo que os especialistas consideram o nível de autonomia necessário para passar ao consumo mais generalizado, acima dos 150 quilómetros. Acho que ainda falta uma geração de tecnologia, que é capaz de chegar em três ou quatro anos.

E o facto de haver agora uma crise económica, como é que a indústria pode lidar com isso?
Temos uma responsabilidade: comunicar mais com os governos para tentarmos demonstrar o que sabemos fazer, e os governos criarem os incentivos fiscais para fazer com que tudo isso chegue mais rapidamente.

Mas que acabaram agora...
Os incentivos fiscais até à data tinham mais a ver com a recuperação da procura e do crescimento económico do que o desenvolvimento de novas tecnologias. Acho que quaisquer novos incentivos fiscais terão de ter mais a ver com acelerar a chegada de novas tecnologias.

Em Portugal, por exemplo, há incentivo à aquisição de carros eléctricos.
Acontece o mesmo em Espanha. Não posso mais do que aplaudir e agradecer àqueles governos que apostam em inovar, mas acho que falta criar os mecanismos intermédios. Não é normal incentivar muito o carro eléctrico e não incentivar nada um carro híbrido, quando um carro híbrido é uma solução que permite à indústria investir, porque não é mais do que uma fase intermédia de um carro eléctrico. Num carro híbrido, conseguimos aperfeiçoar a tecnologia dos eléctricos e a tecnologia dos térmicos, porque é uma plataforma de investimento que permite optimizar as duas. Se um Governo tem vocação para impulsionar o carro eléctrico, a melhor forma é apoiar todas as tecnologias intermédias que consigam mudar a mentalidade dos consumidores.

De que forma?
A ajuda para um carro eléctrico em Portugal é de cerca de 5000 euros, mais o incentivo ao abate. Por exemplo, um carro híbrido ter metade do valor do carro eléctrico seria uma forma de facilitar que uma grande parte da clientela começasse já a mudar a sua forma de consumo. E as tecnologias de que estamos a falar, a micro-hibridação, se calhar 500 ou 600 euros de vantagem fiscal para incentivar a chegada destas novas tecnologias criariam uma movimentação que levaria a mentalidade do consumidor a ir para onde queremos.

Mas, para já, o mercado automóvel irá continuar em crise? Quais são as perspectivas da Peugeot?
O mercado europeu, de forma geral, vai conseguir em 2011 um certo equilíbrio, com comportamentos dentro da Europa muito diferentes. Na Europa do Norte, as economias começam já a arrancar. Depois temos uma Europa do Sul a ter desequilíbrios um pouco mais fortes.

Em Portugal, fala-se de uma descida de 20 por cento nas vendas este ano...
É normal. Todos os mercados que saíram dos incentivos fiscais tiveram uma queda. A própria Alemanha teve uma quebra de 30 por cento. Em Espanha, os ligeiros têm uma quebra de 40 por cento. O que estes incentivos criaram foi uma antecipação da compra de novos automóveis. Nem a realidade do mercado com incentivos era boa, nem a saída é uma leitura directa.

Mas como é que vê o mercado em Portugal?
Há alguns anos, conheci um período de grande queda em Portugal, no final da Expo "98, que se seguiu a um grande crescimento da economia portuguesa. Hoje estamos a ver um ajustamento muito menos duro, do ponto de vista estrutural do mercado automóvel, do que naquela altura.

Em relação à produção, Portugal pode ser importante para a Peugeot?
Não sou grande especialista na produção, mas as decisões nesta matéria são muito complexas. Uma decisão que estamos a ver hoje como muito estável, amanhã, por uma qualquer razão, muda. Para mim, uma coisa é sempre certa: uma principal garantia para ter atractividade para a indústria é ter um mercado forte. Os países que têm uma procura fraca saem do radar das decisões.

E Portugal, como é que está colocado neste aspecto?
A fábrica de Mangualde não é grande, mas estamos a criar mais de 2000 empregos directos e por volta de 5000 a 6000 empregos indirectos. À data de hoje, todos os anos falamos de Mangualde e todos os anos continua mais um ano. O importante é sempre saber que é um ano mais. Para a minha vida pessoal, considero-me mais satisfeito se me prometem que no próximo ano vou ficar vivo, e no ano seguinte a mesma coisa. São melhores as promessas de curto prazo consecutivas do que as de longo prazo não cumpridas.

Mas quais são as expectativas quanto ao futuro?

Mangualde é um complemento muito importante da fábrica de Vigo, que não pode crescer fisicamente e tem uma logística muito importante com Mangualde. Tem um corredor não só de fabricação mas também de toda a cadeia de fornecedores que é muito importante. O cluster automóvel que se está a criar entre o Norte de Portugal e o Sul da Galiza é um dos mais importantes da Europa. E, no interesse dos dois países, é uma coisa que os governos devem defender com todo o seu empenho.

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motor ar comprimido

será que estes senhores já ouviram falar nos carros com motor a ar comprimido???? parece-me que ha ...

marco

14.03.2011 21:26