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Analistas dizem que são precisas reformas estruturais

Rei da Bélgica reclama orçamento mais apertado para 2011

10.01.2011 - 16:13 Por Pedro Crisóstomo

<p>Albert II vai receber o mediador da coligação governamental Johan Vande Lanotte </p>

Albert II vai receber o mediador da coligação governamental Johan Vande Lanotte

 (Thierry Roge/Reuters)
O Palácio Real não deu indicação sobre os números a cumprir. Mas, depois das vozes que se levantaram nos últimos dias a pedir o reforço das medidas de contenção na Bélgica, o rei Albert II veio pedir ao primeiro-ministro cessante, Yves Leterme, um “melhor” orçamento do acordado entre a Bélgica e a União Europeia.

O Orçamento do Estado belga deste ano está preso por duodécimos e, perante o impasse político-institucional que deixa o país sem Governo em plenitude há 211 dias, Albert II quer um diploma que permita fazer melhor do que os 4,6 por cento de défice acordados com as autoridades europeias para 2011.

Os resultados orçamentais do ano passado superaram as espectativas, com um défice de seis por cento, e o próprio ministro das Finanças cessante, Didier Reynders, sugeriu mesmo, a meio de Dezembro, que o país reduzisse o défice público ainda mais do que o previsto, para os 3,7 por cento.

Só que os analistas mantêm-se cépticos em relação às possibilidades a situação fiscal melhorar, face ao risco de a Bélgica continuar sem um governo em plenitude de funções – mais do que o recorde de 194 dias sem executivo, há três anos.

A crise permanente tem agitado os mercados nos últimos sete meses, e, hoje, os spreads entre as taxas de juro belgas a dez anos e as alemãs bateram um recorde desde a entrada na zona euro, com uma diferença de 140 pontos-base.

“São medidas a curto prazo, mas não haverá solução para os problemas estruturais das finanças públicas da Bélgica”, comentou à Reuters o economista do banco ING, Philippe Ledent, para quem a solução está em “reformas estruturais”.

A crise política entre os partidos flamengos e francófonos pode pôr em causa a própria aprovação do Orçamento do Estado de 2011 no Parlamento. Face à instabilidade, o consenso pode estar em risco, alerta Carl Devos, da Universidade flamenga de Ghent.

No fim-de-semana, foram várias as vozes a pedir maior contenção orçamental na Bélgica e, para amanhã, Albert II tem agendado um encontro com o mediador para a formação de uma coligação entre os flamengos e francófonos, Johan Vande Lanotte.

Bélgica poderá pedir resgate, sinaliza banco dinamarquês

Portugal tem sido o principal alvo das especulações sobre um possível resgate ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira em 2011 na última semana e, hoje, foi a Bélgica a ser incluída no grupo pelo Saxo Bank.

No contexto de incertezas para as economias periféricas da zona euro, o responsável pela estratégia em acções do banco com sede em Copenhaga, Christian Tegllund Blaabjerg, sinalizou que as perspectivas para a Bélgica não são mais animadoras do que as portuguesas (de quem reforçou acreditar que também será obrigado a pedir resgate no primeiro trimestre deste ano), disse, citado no site do jornal espanhol CincoDías.

Ainda na semana passada, as taxas de juro belgas a dez anos estavam abaixo dos 100 pontos-base, mas hoje ultrapassaram essa meta, colocando o país sob pressão internacional, ao lado de Portugal, Grécia, Itália e Espanha.

“Constatamos desde o fim da semana passada que a taxa belga evolui ao mesmo ritmo das taxas dos países periféricos”, notou ao diário belga em língua francesa Le Soir Jan Deboutte, da agência federal belga da dívida.

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