REN entra em consórcio para transportar electricidade de África para a Europa 
27.02.2012 - 14:30 Por Inês Sequeira
Dentro de alguns anos, o deserto africano poderá ser povoado por imagens semelhantes a esta
(Jose Manuel Ribeiro/Reuters)A empresa que gere as redes portuguesas de transporte de electricidade e de gás vai passar a fazer parte do consórcio internacional Medgrid, que pretende aproveitar o potencial de energias renováveis em África.
Em comunicado hoje divulgado, a empresa liderada por Rui Cartaxo informa que o projecto do Medgrid será construir interconexões submarinas entre os continentes europeu e africano, através do estreito de Gibraltar, para transportar electricidade.
Em causa está um projecto que é conhecido como o “Plano Solar Mediterrânico”, que tem como objectivo instalar a Sul e a Leste da bacia do estreito de Gibraltar capacidade de produção de energia eléctrica, recorrendo a fontes renováveis, nomeadamente solar, de 20 GW (gigawatts) até 2020. Deste valor, cerca de cinco GW seriam exportados para a Europa.
Por saber está para já quanto irá a REN investir neste projecto, que decorrer “de uma estratégia que já estava pensada há algum tempo”, indicou ao PÚBLICO uma fonte oficial da empresa, lembrando que “este é o primeiro passo para a internacionalização”.
Para já, o consórcio está a desenvolver estudos para analisar qual será a localização dos cabos submarinos através do Estreito de Gibraltar, no âmbito de um projecto que pretendem ver concluído entre 2015 e 2020. Já existem hoje várias estruturas que ligam África à Europa, através do mesmo estreito, como é o caso do gasoduto que transporta gás natural da Argélia para Espanha e daí para Portugal.
Para João Conceição, administrador da REN, o projecto do Medgrid será “um contributo significativo para a construção das auto-estradas da energia, pelo que faz todo o sentido a REN participar activamente neste projecto”, indicou este responsável no comunicado hoje divulgado.
A aposta da REN nas ligações entre o Norte de África e a Europa será também do agrado do novo accionista chinês da empresa, a State Grid, que em breve deverá adquirir 25%. Na semana passada, responsáveis da companhia chinesa realçaram em Lisboa, num encontro com jornalistas, o interesse que têm os novos projectos para aproveitar as energias de origem renovável em África.
A maior parte dos accionistas da Medgrid são franceses. Do consórcio fazem parte 20 empresas, entre as quais a Abengoa, a Alstom grid, a Areva renouvelables, EDF, Red Eléctrica e Siemens. A Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), através de uma parceria estratégica e financeira, é também uma das entidades envolvidas.


