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O endividamento do país é inferior à média europeia Taxas de juro de Portugal “não representam o risco da República”, defende o presidente do BESI

Proposta de Pedro Passos Coelho

Ricardo Salgado: Só os estrangeiros têm meios para comprar a CGD

29.03.2011 - 18:34 Por Cristina Ferreira, em Londres

 (António Borges)
"Já por diversas vezes disse que a CGD não deve ser privatizada”, observou Ricardo Salgado, presidente do BES, que admite, ainda assim, uma venda parcial mas “desde que o controlo fique nas mãos do Estado”.

A “necessidade aguça o engenho [falta de financiamento] e pode ser necessário privatizar totalmente a CGD”, referiu o banqueiro instado a comentar a proposta de Pedro Passos Coelho, que voltou a defender a venda do grupo financeiro público.

“Mas discordo” da solução acrescentou Salgado. "A CGD é um instrumento de intervenção política financeira do Estado” na economia portuguesa. A venda da CGD “implicará que o Estado vai perder um instrumento de execução da política financeira d Estado junto das PME, das famílias e dos projectos estruturais.”

“Já a venda parcial poderá ser positiva para reforçar os rácios”, analisa, acrescentando: “Não vejo que haja em Portugal meios, poupanças ou grupos com dimensão interna para adquirirem” a CGD. “Se for comprada irá necessariamente para um grupo estrangeiro”, diz Salgado.

“Mesmo havendo bancos nacionais com meios, o que é discutível, teriam de enfrentar os reguladores (Banco de Portugal e autoridades europeias) que os obrigariam a desfazer-se de uma parte das redes e dos activos”.

Por sua vez, num encontro com jornalistas em Londres, José Maria Ricciardi, o presidente do BESI, considerou que não vê vantagem na venda da CGD, medida que considera não ser uma prioridade para o país.

Sobre a possibilidade de venda de parte da CGD, o banqueiro notou que "quem compra uma posição minoritária numa empresa tem objectivos financeiros, ou de valorização da acção ou de obtenção de dividendos", enquanto "o Estado, na óptica do interesse público, tem outras preocupações que por vezes são conflituantes com os interesses privados."

Recorde-se que, para além da Espanha, mais de metade do sector financeiro alemão está nas mãos de bancos públicos, o mesmo acontecendo em França. Nos países nórdicos há também grandes bancos de capitais públicos. A CGD possui 25 por cento de quota de mercado em Portugal.

*A jornalista viajou a convite do BES

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29.03.2011 23:50