As grandes fortunas chinesas são o novo alvo do par de multimilionários norte-americanos Warren Buffett e Bill Gates, os dois homens mais ricos dos Estados Unidos, que em Junho lançaram uma campanha mundial (The Giving Pledge, Compromisso de Dar) para promoverem o crescimento de doações para caridade dos mais ricos entre os ricos.
O objectivo desta acção tem sido conseguir um compromisso moral, escrito, no qual cada bilionário promete que irá doar metade ou mais do seu dinheiro, em vida ou depois de morrer, para acções sociais, fundações ou investigação na área da saúde, entre outras iniciativas com objectivos não lucrativos. Em Agosto, 40 dos mais ricos dos Estados Unidos já tinham respondido que sim ao apelo.
Agora, a China está a ser o novo destino. Buffett e Gates estão a promover um primeiro jantar em Beijing, a 29 de Setembro, a primeira acção desta campanha que se realiza fora dos Estados Unidos. Entretanto, já terão sido enviados 50 convites para alguns dos donos das maiores fortunas chinesas, indica hoje uma notícia do International Business Times, que cita órgãos oficiais da comunicação daquele país.
Mas para já, o interesse demonstrado pelos convidados parece bem menor do que sucedeu entre os grandes milionários norte-americanos, admite Ray Yip, que está à frente da Fundação de Bill e Melinda Gates na China, numa notícia em que é citado pelo Financial Times (FT).
“Um pequeno número de pessoas declinaram o convite para comparecerem, enquanto muitos dos convidados telefonaram a perguntar se seria necessário fazer uma doação durante o jantar”, explicou este responsável, citado a partir de declarações publicadas por um portal de notícias e pelo Economic Observer.
A reacção aparentemente mais fria dos empresários chineses em relação a esta iniciativa estará relacionada com a forma muito diferente como se desenvolvem as acções de caridade na China.
Nos Estados Unidos, há uma grande tradição de voluntariado e de doações da sociedade civil. Em contrapartida, na China, “o stakeholder (parceiro) mais importante nas acções de caridade é sempre o governo, e há uma suspeita de que muitas doações não são pura filantropia, mas sim compra de influência pelos homens de negócios endinheirados”, indica Rupert Hoogewerf, que compila a lista dos mais ricos chineses, em declarações ao FT.
Alguns nomes também já disseram que sim ao convite. São os casos de Zhang Xin, presidente executivo da firma imobiliária SOHO China e Wang Chuanfu, dirigente do fabricante de carros e baterias BYD. Este último tem Warren Buffett como investidor.



