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Nova crispação entre a Comissão Europeia e a Alemanha

Risco da dívida grega em máximos na véspera da chegada do FMI

07.04.2010 - 07:49 Por Rosa Soares

<p>Os problemas orçamentais da Grécia estão longe de ficar resolvidos</p>

Os problemas orçamentais da Grécia estão longe de ficar resolvidos

 (Nuno Ferreira Santos/arquivo)
Uma equipa do Fundo Monetário Internacional (FMI) chega hoje a Atenas para ajudar o Governo grego a equilibrar as contas públicas, numa altura de nova crispação de posições na União Europeia face ao plano de ajudas acordado no mês passado e com os mercados a colocarem os spreads das obrigações gregas face às alemãs no valor mais alto desde a criação do euro.

Uma notícia da Market News, de ontem de manhã, citando um alto responsável do Governo grego, dava conta de que o executivo liderado por George Papandreou pretendia renegociar o plano de ajuda com a Comissão Europeia, de forma a afastar o FMI, que alegadamente pretenderia impor ao país condições "demasiado duras", no caso de se tornar necessá- ria a sua intervenção. Segundo a notícia, o primeiro-ministro teria conhecimento das condições impostas pelo FMI para essa ajuda, informação que não é do conhecimento do mercado.

Esta notícia, desmentida algumas horas depois, fez disparar a taxa de juro (yield) da dívida grega para máximos - as yields das obrigações a 10 anos estiveram a subir mais de 50 pontos base, superando os sete por cento - e atirou a Bolsa de Atenas para perdas superiores a três por cento.

O desmentido do Governo não acalmou o mercado. Apesar de ligeiramente mais baixo, o prémio de risco da dívida grega permaneceu, até ao final do dia, num nível muito elevado, ou seja, a uma distância de mais de 400 pontos-base face ao valor de referência das obrigações alemãs a 10 anos, o que representa um máximo desde a criação do euro. O receio de que a Grécia poderá ter dificuldades em refinanciar a dívida que vence em Maio, operação que envolve 11 mil milhões de euros, volta a ganhar força. Aparentemente, o receio não é tanto de que a Grécia não consiga refinanciar-se, mas o preço que terá de pagar. É que, se o país se financiar a taxas muito elevadas, fica numa situação ainda mais difícil para cumprir o seu ambicioso Programa de Estabilidade.

A alimentar a desconfiança dos mercados face à Grécia está também um novo ponto de discórdia entre a Comissão Europeia e a Alemanha, em relação a um ponto fulcral do plano, ou seja, o valor da taxa de juro dos empréstimos bilaterais. Fonte governamental alemã disse que essa taxa terá de estar em linha com a do mercado, que está altíssima, ou seja, incomportável para o país.

Em comunicado divulgado ontem, o FMI fez questão de recordar que a equipa que hoje chega a Atenas vai prestar apenas "apoio técnico" a pedido das autoridades locais, tentando afastar a hipótese, admitida no mercado, de que a deslocação tem o objectivo de preparar o empréstimo.

O reacender da crise grega voltou ontem a contagiar a dívida portuguesa, que, como no resto do Sul da Europa, viu o risco subir ligeiramente.

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