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Alemanha aprova alargamento do fundo de resgate

Semana crucial na zona euro com a Grécia em fundo

26.09.2011 - 09:43 Por Paulo Miguel Madeira

<p>O ministro das Finanças da Alemanha quer antecipar a possibilidade de reestruturação de dívida</p>

O ministro das Finanças da Alemanha quer antecipar a possibilidade de reestruturação de dívida

 (Yuri Gripas/ Reuters)
A União Europeia (UE) e a zona euro iniciam hoje uma semana que se deverá revelar crucial para o seu futuro, com a votação no Parlamento alemão do alargamento das capacidades do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), o lançamento pela Comissão Europeia das primeiras ideias sobre obrigações europeias e o regresso da Troika à Grécia.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse ontem numa entrevista televisiva acreditar que a coligação governamental conseguirá obter esta semana a aprovação no Parlamento, pela maioria que suporta o Governo, do alargamento do fundo europeu de resgate, apesar de vários deputados da coligação já terem anunciado votos contra.

A aprovação do alargamento do FEEF pela Alemanha não estava em causa, pois o maior partido da oposição, o SPD, já tinha feito saber que votava favoravelmente, mas algumas dezenas de deputados da maioria governamental tinham feito saber que votariam contra, o que poderia minar a autoridade do Governo alemão.

O diário norte-americano The Wall Street Journal destaca nas sua edição de hoje justamente as divisões na Europa sobre o seu mecanismo de resgates, e diz mesmo que “as negociações estão numa fase inicial” e que “está longe de ser claro se conseguirão gerar um consenso para agir”.

Alemanha joga na antecipação da reestruturação de dívida

É neste contexto que o presidente da Comissão Europeia, Durão Barros, apresenta na quarta-feira as suas primeiras ideias sobre o assunto, durante o debate no Parlamento Europeu sobre o “estado da União”, conforme o PÚBLICO noticia na sua edição impressa de hoje.

Por seu lado, simultaneamente, a Alemanha está ponderar tentar antecipar a entrada em funcionamento do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), que foi previsto para substituirá a partir de 2013, a título permanente, o actual sistema, que foi criado com uma duração limitada para responder ao início da crise das dívidas soberanas na zona euro.

Esta ideia, admitida no fim-de-semana pelo ministro das Finanças da Alemanha, seria uma maneira de tentar responder à crescente pressão internacional para o reforço pelos governos da zona euro da sua capacidade de acção, mas sem aumentar os montantes envolvidos e antecipando o eventual envolvimento dos privados, o que significa uma antecipação da possibilidade de reestruturar dívida.

Isto porque o MEE deverá ter os mesmos 500 mil milhões de euros que o sistema actual (o FEEF e o MEEF) mas, ao contrário do que agora vigora, comparta também o envolvimento dos credores privados.

Grécia no limite

Depois de terem feito as malas no início do mês, insatisfeitas com os atrasos da Grécia na concretização das reformas estruturais, as equipas de auditores da Troika do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e União Europeia (UE) deverão regressar esta semana a Atenas, para decidir se o país recebe a próxima parcela de oito mil milhões de euros do plano de resgate em vigor, indispensável para escapar ao incumprimento das suas obrigações financeiras.

O limite temporal para uma acção eficaz está próximo, pois o Governo grego já disse que a partir de Outubro não tem verbas para pagar dívidas, pensões e salários aos funcionários públicos.

As expectativas são de que a Grécia acabe por receber os oito mil milhões, pois os líderes da zona euro – pressionados pelos Estados Unidos, pelas maiores economias emergentes, pelo FMI e pelos mercados para agirem depressa – prometeram este fim-de-semana “fazer tudo o necessário para assegurar a estabilidade financeira” do conjunto dos seus membros.

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