CGTP: sensibilidades socialista, católica e "bloquista" querem mais representatividade 
26.01.2012 - 15:11 Por João Ramos de Almeida
Manifesto defende movimento sindical "mais eficaz"
(Foto: Nelson Garrido)Como noutros congressos, as sensibilidades minoritárias fazem-se sentir na reunião magna da principal central sindical.
Uma nova atitude sindical, "ofensiva e proponente, com uma "busca permanente" de pontes no movimento sindical "incluindo a UGT", uma maior autonomia no interior da CGTP através da escolha proporcional às votações dos elementos para o conselho nacional são algumas das propostas de um manifesto, surgido dias antes do XII Congresso da CGTP, a realizar amanhã e sábado na antiga FIL, em Lisboa.
O manifesto é da autoria de sindicalistas da sensibilidade socialista, católica e do Bloco de Esquerda, como Ulisses Garrido, Carlos Trindade, António Avelãs, Fernando Gomes, António Chora, Américo Monteiro, João Lourenço e Guadalupe Simões.
Estas sensibilidades, juntamente com a comunista maioritária, estão representados no conselho nacional da CGTP. O número de lugares de cada uma é resultado de negociação. Há dias, terminou a negociação para os próximos conselho nacional e comissão executiva, cujas listas mantiveram os actuais equilíbrios e que serão postas a votação no congresso.
O manifesto faz uma apreciação do agravamento da situação social e laboral, fruto do "maior ataque contra o trabalho e os sindicatos desde há décadas". Critica o Governo português por se apresentar como "capataz servil e acrítico" datroikae por aproveitar a crise para "justificar o mais brutal programa ideológico", de "ataque ao Estado social, ao direito de negociação colectiva". Critica-se o recente acordo tripartido e as posições "no mínimo ambíguas do PS" e a "preciosa colaboração da UGT".
Face a essa situação, os autores do manifesto defendem a necessidade de um "movimento social mais poderoso, mais amplo e mais unido", mas "mais eficaz". "Tudo isto é ainda mais necessário", refere-se, "no momento de saída do actual secretário-geral, Carvalho da Silva", e que vem dar mais importância a que o novo programa de acção e a nova direcção "não constituam semente de fechamento, de retrocesso e de redução do apoio dos trabalhadores". Uma possível alusão à escolha de Arménio Carlos para futuro secretário-geral, igualmente comunista, mas membro do comité central do PCP.
Defende-se um "sindicalismo reivindicativo e ancorado na mobilização social, mas que saiba combinar a acção reivindicativa com a prática de um sindicalismo de proposta, de negociação e de diálogo social". E que procure "incessantemente denominadores comuns que fortaleçam a unidade dos trabalhadores".
Propõe-se ainda "regular e generalizar a informação sobre a evolução da sindicalização e da filiação sindical e a publicação das contas e dos resultados da gestão". E ainda "promover a filiação na grande e dominante confederação sindical mundial que é a CSI - Confederação Sindical Internacional".


