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"Será uma loucura" prosseguir com TGV sabendo que Espanha o vai suspender, diz PSD

20.05.2010 - 18:20 Por Lusa

O líder parlamentar do PSD considerou hoje que "será uma loucura" o Governo português prosseguir com o projecto do TGV Lisboa-Madrid sabendo que Espanha o vai suspender do lado de lá da fronteira. Também Passos Coelho salientou que Governo tem de rever projecto.

Numa declaração aos jornalistas, no Parlamento, Miguel Macedo apelou ao Governo para que desista definitivamente deste projecto de linha ferroviária de alta velocidade que, "nestas circunstâncias, não tem pés para andar".

"Aquilo que já era uma verdadeira irresponsabilidade, o prosseguimento do projecto do TGV, será uma loucura se o Governo pretender prosseguir este projecto depois de conhecida a posição espanhola de suspender o TGV do lado de lá da fronteira", declarou o líder parlamentar do PSD.

Miguel Macedo assinalou que, através de um projecto de resolução apresentado na quarta-feira, os social-democratas já tinham alertado para a possibilidade de Portugal estar "a fazer uma linha de TGV que não teria continuação para o lado de lá da fronteira".

"Esperemos que o Governo não persista neste irrealismo e não queira prosseguir teimosamente, de forma absolutamente insensata, um projecto que agora, definitivamente, nos tempos que correm, e nestas circunstâncias, não tem pés para andar", acrescentou.

No projecto de resolução que apresentou na quarta-feira, o PSD sustentava que Portugal poderia, "algures em 2014, encontrar-se perante a insólita situação de ter construído uma linha preparada para a alta velocidade entre Poceirão e Caia sem qualquer ligação directa a Lisboa, sem continuidade em território espanhol e com forte impacto anual no Orçamento do Estado, devido às rendas a pagar ao concessionário pela sua disponibilidade e manutenção, mas que não servirá rigorosamente para nada".

Por seu lado, o presidente do PSD, Pedro Passo Coelho, defendeu que “está na hora do Governo sentar à mesa aqueles com quem assinou esse contrato [do TGV] para rever as decisões que teve a inoportunidade de tomar”.

“Julgo que o país já percebeu, só o Governo é que parece não ter percebido. O país já percebeu há muito tempo que nós não temos condições para avançar com esse projectos”, afirmou aos jornalistas.

Falando à margem de uma visita a uma feira de mobiliário em Paredes, Passos Coelho considerou que a posição do governo espanhol “é um motivo que deveria levar José Sócrates a ponderar a urgência que está colocar neste projecto”.

“Ainda que o governo espanhol não tivesse tomado essa decisão, a circunstância em que nós vivemos em Portugal, já há muito tempo que aconselhava que esse projecto fosse suspenso. Nós não temos nesta altura condições para estar a pedir ao país sinais contraditórios, apoio para medidas que são duras e, ao mesmo tempo, manter esse tipo de iniciativas”, acrescentou.

Entretanto, hoje, os social-democratas apresentaram um outro projecto de resolução, no qual solicitam ao Governo "cópia do contrato de concessão do troço ferroviário Poceirão-Caia e dos respectivos anexos".

Nesse documento, o PSD acusa o Governo de "conhecedor de toda a realidade", ter celebrado "um contrato para a construção de uma obra que não terá qualquer utilidade durante anos, até que se concluam as ligações de ambos os lados", mas que "acarreta de imediato pagamentos avultados para o Estado que", defende, "se impõe serem do conhecimento público".







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