Posição da ENI vale em bolsa cerca de 3367 milhões de euros
(Foto: Joana Camões)A Sonangol está interessada na participação que a empresa italiana ENI tem na Galp Energia, e estão em curso negociações para consolidar essa pretensão, disse hoje em Luanda Baptista Sumbe, administrador executivo da companhia estatal angolana, citado pela Lusa.
“A Sonangol tem intenção de também fazer parte dessa alienação (da ENI)”, disse Batista Sumbe.No entanto, e de acordo com a Lusa, o gestor afirmou que “é ainda prematuro avançar mais informações”.
“A ENI, de facto, manifestou o interesse de alienar a sua participação na Galp. Há intenções do Governo português em manter alguma presença nesta alienação da ENI, através de empresas portuguesas”, sublinhou. Baptista Sumbe concluiu a referência à Galp Energia destacando que a Sonangol “está a conversar” com os seus parceiros da empresa portuguesa. “Em devido tempo vamos informar quais os resultados da saída da ENI da Galp”, concluiu, ainda de acordo com a Lusa. Um porta-voz da ENI afirmou ao PÚBLICO que a empresa não comentava este assunto. Já em declarações à Lusa, uma fonte da empresa alegou “questões sensíveis como o preço e o facto de ser uma sociedade cotada” como justificação para não se pronunciar.O PÚBLICO tentou contactar também a Sonangol, mas tal não foi possível.
A Sonangol detém, aliada a Isabel dos Santos (através da empresa Esperaza), 40% da Amorim Energia, que, por sua vez, é dona de 33% da Galp, uma posição com idêntico peso ao da ENI. No entanto, a Sonangol (agora liderada por Francisco de Lemos José Maria, em substituição de Manuel Vicente) já expressou o desejo de entrar de forma directa no capital da petrolífera portuguesa, num quadro de divergências entre os investidores angolanos e Américo Amorim.
Por parte da ENI, a empresa italiana já foi referida, por diversas vezes, como estando vendedora dos 33% que detém na Galp. A brasileira Petrobras esteve para ficar com parte do capital, mas as negociações terminaram sem sucesso em Fevereiro do ano passado.
Há cerca de uma semana, o presidente da ENI, Paolo Scaroni, afirmou, citado pela agência Bloomberg, que estava disponível para alienar a sua posição, mas que não o faria “abaixo dos preços do mercado”. O gestor relembrou que empresa comprou a sua participação em 2000 por 964 milhões de euros, e que já tinha tido “o retorno em dividendos e benefícios fiscais”.
Actualmente, os 33% estão avaliados, tendo em conta o preço de hoje das acções, em cerca de 3367 milhões de euros (a capitalização bolsista da Galp é de 10,1 mil milhões de euros). Os títulos da petrolífera portuguesa subiram 3,35%, para os 13,25 euros.
Na conferência de imprensa de hoje, dia em que se assinalam os 36 anos da empresa, os responsáveis da Sonangol anunciaram ainda que vão abandonar as operações no Irão devido, segundo a Lusa, às sanções internacionais em vigor contra o programa nuclear iraniano. A empresa apresentou alguns dados do exercício de 2011, ano em que teve proveitos de 33,7 mil milhões de dólares (cerca de 25 mil milhões de euros) e lucros de 3,3 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros).
Notícia actualizada às 17h25



