Lucas Papademos, primeiro-ministro grego
(Foto: Orestis Panagiotou/AFP)Mesmo com um eventual perdão de 70% dos títulos de dívida soberana, a Grécia não conseguirá alcançar uma dívida sustentável, avisou hoje o analista da agência de notação Standard & Poor’s Frank Gill.
O Governo grego tem estado em negociações com os credores privados do Estado para ultimar os termos de um perdão parcial à dívida grega que está nas mãos do sector privado.
O ponto de partida das discussões foi o acordo de princípio celebrado em Outubro entre o Instituto de Finanças Internacional (IFI), a entidade que representa bancos e outras instituições financeiras privadas mundiais, e que prevê um perdão de metade dos títulos de dívida soberana detidos pelos credores privados.
Ao colocar em cima da mesa um perdão de 70%, Frank Gill refere-se a uma proposta alemã noticiada na imprensa internacional – e nunca desmentida pelo Governo de Berlim – para os credores aceitarem um perdão maior ao pré-negociado no ano passado.
O responsável considera que apenas uma pequena parte dos investidores aceitará um perdão voluntário e frisa que o sector público não é abrangido – ou “só parcialmente” – pela redução da dívida, cita a agência Reuters.
Para colocar a dívida num “nível mais sustentável”, a correcção deveria já ter sido iniciada há já dois anos, sublinha o analista. A dívida pública grega era, em Setembro, de 159,1% do PIB, segundo os dados desta semana do Eurostat. É o país mais endividado da moeda única, seguido da Itália (119,6%) e de Portugal (110,1%).
O Governo grego e o Instituto de Finanças Internacional mantêm há semanas um duro braço-de-ferro para finalizarem um compromisso de redução da dívida. O primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, e o seu ministro das Finanças, Evangelos Vénizélos, estiveram hoje novamente a negociar com os representantes do IFI, mas as partes ainda não anunciaram qualquer acordo.
Amanhã, o comité do instituto vai reunir em Paris para discutir que posição assumirá daqui para a frente. Isto numa altura em que o Governo grego negoceia, ao mesmo tempo, entre os três partidos da coligação, novas reformas económicas para receber um segundo resgate financeiro.



