Spread da dívida a dez anos atinge novo máximo histórico face à alemã 
20.09.2010 - 12:22 Por Paulo Miguel Madeira
Teixeira dos Santos deve anunciar em breve as linhas do Orçamento
(Daniel Rocha/ arquivo)O diferencial das taxas de juro (spread) cobradas nos mercados pelas obrigações a dez anos do Estado português face às das suas congéneres alemãs atingiu hoje um novo máximo histórico, situando-se em 384 pontos-base ao meio-dia de Lisboa.
A taxa de juro implícita do mercado secundário continuavam hoje a subir e estava já bem acima dos seis por cento, em 6,297 por cento, mas abaixo do máximo histórico desde a existência ao euro registado pela agência Reuters, que foi de 6,441 por cento em 7 de Maio, no auge da crise da dívida pública europeia e quando a situação grega estava ainda sem controlo.
Foi também nesse dia que tinha sido atingido o anterior recorde do diferencial (spread) das taxas das obrigações portuguesas a dez anos face às alemãs, que foi de 377,8 pontos-base (equivalentes a 3,778 pontos percentuais).
Os juros pagos pela dívida alemã constituem a referência para a zona euro, por serem os mais baixos, porque os compradores a considerarem mais segura
Nos prazos mais curtos, a cinco e dosia anos, os juros da dívida pública continuam também a subir, mas estão mais distantes dos seus máximos históricos, atingidos também a 7 de Maio deste ano, em respectivamente 6,067 por cento e 6,418 por cento. Hoje estavam em 5,062 e 3,955 por cento.
O Estado tem agendada para quarta-feira uma nova emissão de dívida pública, através do IGCP. Está prevista a emissão de dívida num montante entre 750 milhões e mil milhões de euros, a quatro e a dez anos, com taxas indicativas de respectivamente 3,6 e 4,8 por cento – neste caso bastante abaixo do que está a ser praticado no mercado secundário.
Na sexta-feira, o diferencial das taxas de juro da dívida nacional a dez anos face à alemã disparou, tendo ficado em 372,6 pontos-base, com os juros em 6,157 por cento.
No início do dia, a margem face à dívida alemã ainda se reduziu ligeiramente, para 373 pontos-base, mas rapidamente se inverteu para 383 pontos-base, continuando a aprofundar-se.
O Governo já fez saber que, para evitar continuar na mira dos mercados e prolongar uma situação de insegurança, quer começar a avançar muito em breve as linhas do Orçamento do Estado para 2011.
Um analista ouvido pela agência Reuters disse que o aumento da margem portuguesa estava a acontecer em simultâneo com as da espanhola e italiano, sem que houvesse notícias que o justificassem. “Parece uma situação em que alguém está a vender obrigações portuguesas em quantidades muito pequenas”, explicou.
Ao abrigo do plano de ajuda à Grécia pela UE e pelo FMI, o país paga juros de cinco por cento pelas quantias emprestadas.
Última actualização às 12h38


