Standard & Poor´s pode baixar triplo-A da França e pôr Portugal na categoria de “lixo” 
21.10.2011 - 10:58 Por Paulo Miguel Madeira
Portugal e França estão entre os países cuja nota de risco (rating) da dívida soberana deverá provavelmente sofrer uma redução da parte da agência Standard & Poor´s nos próximos tempos se houver uma degradação do cenário económico.
As notas da Itália, Espanha e Irlanda também estão ameaçadas por este cenário, que as poderá fazer descer um a dois níveis, tal como à nota de Portugal (agora em BBB-), que assim entraria já na categoria de lixo.
Esta perspectiva foi avançada por um relatório divulgado na madrugada de hoje, citado pela Bloomberg, e que testa dois cenários de stress. O primeiro é o de uma nova recessão, que seria uma recaída na sequência da crise global, o famoso “W” da expressão double dip (dupla queda) em inglês – e não é improvável que se possa concretizar, atendendo ao abrandamento económico que se vive nos EUA e Europa. O segundo é o de esta nova recessão ser acompanhada por um choque de taxas de juro.
Esta situação é particularmente ameaçadora para a França, cuja dívida soberana beneficia da nota máxima (AAA) da parte das três principais agências dos EUA – Standard & Poor´s, Moody´s e Fitch – , mas que em menos de uma semana a vê ameaçada por duas delas. Para Portugal o choque seria mais psicológico, pois desde que recebeu ajuda o seu financiamento é assegurado pela troika e pelo BCE.
Na segunda-feira, a agência Moody’s já tinha advertido que a França sobre a solidez da sua nota máxima, que poderá colocar em revisão dentro de três meses, com vista a uma baixa. A redução da nota da França, que com a Alemanha é uma das duas grandes economias europeias que beneficiam do nível máximo e por isso pagam juros mais baixos para pedir dinheiro, poderia pôr também um problema adicional para o financiamento do actual e futuro fundos europeus de resgate, pois poderia ter de pagar juros mais elevados para emprestar aos países em dificuldades.
A Standard & Poor´s justifica a degradação da nota da dívida de todos estes países nos cenários considerados porque “o aumento dos défices e os custos com a recapitalização dos bancos fariam provavelmente aumentar muito o endividamento dos governos em ambos os cenários”, escreve a Bloomberg.


