Stiglitz acusa agências de rating de agirem de “forma política e irresponsável” 
18.01.2012 - 15:43 Por Ana Rita Faria
Stiglitz considera que as agências de rating são levadas muito a sério
(Alex Wong/AFP)O prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, diz que as agências de rating são levadas muito a sério, mesmo depois de terem falhado redondamente na crise de 2008/2009 e de continuarem a agir “de forma política e irresponsável”.
O economista, que falava hoje aos jornalistas à margem do Congresso de Distribuição Moderna da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), em Lisboa, recordou que as agências de notação financeira são um negócio, com interesses privados e que tem por objectivo fazer lucros, o que pode gerar conflitos de interesses.
“Basicamente reflectem as visões dos agentes do mercado financeiro, que querem ser reembolsados, que não percebem muito de economia”, ironiza.
Segundo Joseph Stiglitz, as agências de rating falharam redondamente durante a crise financeira internacional de 2008/2009, ao atribuírem notas máximas a instituições que viriam a falir, como o Lehman Brothers, e a activos que viriam a revelar-se tóxicos. “Agora, estão a tentar recuperar o seu status e mostrar que são duras”, afirma o economista. Stiglitz dá como exemplo o corte do triplo A dos EUA, pela Standard & Poor’s, a mesma agência que reviu agora as notações de nove países da zona euro.
Para o prémio Nobel, as agências de rating “agiram de forma política e irresponsável”. Stiglitiz considera “surpreendente” a forma como estas instituições e as suas avaliações são levadas a sério, o que faz com que as revisões em baixa dos ratings tenham consequências políticas.


