Subida do petróleo e queda das bolsas atribuídos à situação no Egipto 
31.01.2011 - 10:43 Por Paulo Miguel Madeira
A contestação ao regime egípcio está a ter reflexos nos mercados internacionais, com uma subida de preços do petróleo e a queda das bolsas asiáticas e europeias a ser atribuída aos receios de que a situação alastre a outros países e faça perigar a navegação do canal do Suez.
O Egipto tem uma importância reduzida enquanto produtor de petróleo, mas controla o canal do Suez, por onde passa cerca de um milhão de barris de petróleo por dia e que liga o mar Vermelho ao Mediterrâneo, permitindo que o petróleo que transita do Médio Oriente para a Europa e América do Norte não tenha de contornar o continente africano, o que encareceria o custo de transporte.
Assim, o preço do petróleo Brent do mar do Norte, referência para a Europa e para Portugal, e que tem vindo a subir nos últimos tempos, aproximou-se dos cem dólares por barril hoje de manhã, o que as agências de informação atribuem a receios de que a agitação sócio-política no Egipto acaba por afectar o trânsito no Suez e/ou alastre a outros países da região produtores de petróleo, também com ditadores no poder há décadas, o que poderia levar a restrições no fornecimento de petróleo.
O Brent atingiu 98,93 dólares perto das 9h00 de Lisboa, caindo 0,4 por cento face a sexta-feira, quando atingiu um máximo de mais de dois anos.
Por outro lado, os mercados de acções da Ásia e da Europa estão hoje em baixa, o que segundo um analista do London Capital Group (Jonathan Sudaria) considera, citado pela Reuters, que se deve aos receios dos investidores de que “uma futura subida dos preços da energia possa de facto afundar a confiança dos consumidores e as perspectivas de crescimento”, numa situação em que já estavam preocupados com a subida da inflação e com a queda dos rendimentos reais dos consumidores.
Depois de a Bolsa de Tóquio ter fechado com o Nikkei a desvalorizar 1,2 por cento, as bolsas europeias abriram a desvalorizar. Às 10h40, o Eurnext 100 perdia 0,26 por cento e o PSI 20 0,24 por cento. Este valores estão no entanto em linha com as oscilações diárias normais nos mercados de capitais.


