Subida extraordinária do IRS e IRC reduz défice do Estado nos primeiros quatro meses do ano 
20.05.2011 - 14:04 Por Sérgio Aníbal
Diminuição da despesa efectiva face ao ano passado foi de três por cento
(Daniel Rocha)A subida de mais de 30 por cento nas receitas arrecadadas pelo Estado com o IRS e o IRC contribuíram decisivamente para que, até Abril, o défice público esteja a diminuir de forma muito significativa face ao ano anterior. No entanto, este aumento da cobrança fiscal tenderá a esbater-se durante os próximos meses.
De acordo com o boletim de execução orçamental publicado hoje pela Direcção Geral do Orçamento para os primeiros quatro meses do ano, a receita dos três principais impostos, IRS, IRC e IVA, cresceu 30,7, 35,6 e 20,2 por cento, respectivamente, face ao mesmo período do ano anterior. No total, a receita fiscal registou uma variação homóloga de 16,8 por cento.
A DGO alerta, contudo, que a subida tão expressiva no IRS se deve ao facto de o prazo de entrega da declaração, via Internet, ter ocorrido este ano um mês mais tarde do que em 2010, o que faz com que os reembolsos tenham sido também atrasados. No caso do IRC, o aumento da receita resulta da receita gerada pela tributação de dividendos em Janeiro. Estes dois factores fazem prever um abrandamento significativo destes indicadores nos próximos meses.
De qualquer forma, o desempenho a nível fiscal contribuiu decisivamente para que o défice registado no subsector Estado até Abril se ficasse pelos 1 548 milhões de euros, resultado que é 2280 milhões de euros melhor do que o obtido no mesmo período do ano passado.
O crescimento da receita fiscal de 16,8 por cento compara com uma previsão para o total do ano presente no Orçamento do Estado, de apenas 4,6 por cento.
Ao nível da despesa, também há contributos para a diminuição do défice do Estado. Regista-se uma diminuição da despesa efectiva face ao ano passado de três por cento, quando no OE está prevista uma contracção de 1,5 por cento. Ainda assim, quando se analisa apenas a despesa primária, que não inclui os juros, os resultados são piores. A diminuição é de 2,3 por cento até Abril, quando o que está previsto no OE para a totalidade do ano é uma diminuição de quatro por cento. A DGO assinala, contudo, que até Abril de 2010 se estava a executar um orçamento transitório que implicava transferências menores para algumas rubricas.


