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José Maria Ricciardi

Taxas de juro de Portugal “não representam o risco da República”, defende o presidente do BESI

29.03.2011 - 18:40 Por Cristina Ferreira, em Londres

<p>O endividamento do país é inferior à média europeia</p>

O endividamento do país é inferior à média europeia

 (David Clifford/arquivo)
“Os mercados têm uma percepção desajustada dos mercados de dívida pública em relação ao risco da República portuguesa”, defendeu José Maria Ricciardi, presidente do BESI, durante um encontro com a comunicação social em Londres.

Instado a comentar a crise da dívida soberana nacional, Ricciardi disse que “os mercados têm uma percepção desajustada dos mercados de dívida pública em relação ao risco da República portuguesa”. “Agora, se há uma percepção ou se há uma intenção de shortar [os títulos soberanos cujos juros estão em patamares históricos] objectivos mais profundos já não sei”.

“Portugal merece ter juros mais altos, mas não a este nível.” “Estas taxas de juro não representam o risco da República”, defendeu, salientando que “o endividamento do país é inferior à media europeia e se o défice for de 7,4 por cento em 2010 então também será inferior ao registado pela generalidade dos países”

Ricciardi concluiu: “É verdade que a situação não é óptima, mas não há razão para a percepção que os mercados estão a ter de Portugal”.

Uma ideia partilhada por Ricardo Salgado. “É natural que haja uma queda do PIB de 1,4 por cento” [valor da contracção da economia nacional anunciada pelo BdP] dada a situação que se está a viver em Portugal, disse o Presidente do BES. Salgado lembrou, em todo o caso, que “a evolução económica não se degradou nos seus alicerces fundamentais”.

Salgado considera que os mercados estão a ter uma percepção errada da situação de Portugal, pois ela não se degradou. Observou que apesar da contracção da economia, as exportações crescerem 19 por cento em termos anualizados, enquanto as encomendas à indústria subiram 50 por cento. E a poupança das famílias tem estado a aumentar.

“A evolução do crédito mal parado tem sido positiva, o que surpreende os mercados”, salientou Salgado.

BESI com lucros entre 70 e 100 milhões de euros

Em 2011, o BESI deverá apresentar um produto bancário entre 350 milhões de euros e 400 milhões de euros e vai anunciar em breve uma parceria estratégica com um banco de investimento na Índia, para poder desenvolver operações em Mombai.

Actualmente, revelou José Maria Rcciardi, está já a aguardar as necessárias autorizações por parte dos bancos centrais de Portugal e da Índia.

Depois de ter adquirido o ano passado 50,1 por cento da Execution Noble (com a possibilidade de assumir a totalidade do capital), o BESI viu a sua actividade internacional ganhar relevância. Hoje, cerca de 70 a 75 por cento do produto já é feito fora de Portugal. Para além de Portugal, tem operações em Inglaterra, EUA, Brasil, Espanha, Polónia, Angola, França, México e Índia.

Londres, Nova Iorque e Hong Kong são as praças centrais da actividade do banco de investimento, liderado por Ricciardi.

Em 2011, os resultados do BESI deverão situar-se entre 70 milhões de euros e 100 milhões de euros.

A operação de Londres do BESI rendeu, em 2010, receitas superiores a 60 milhões de euros, que deverão chegar a 115 milhões de euros em 2013. O objectivo é chegar a 2012 entre os 15 primeiros brokers londrinos (onde existem centenas).

Com a compra da Execution Noble, o BESI passou a contar com mil colaboradores, em vez dos 100 que possuía há cerca de um ano.

A jornalista viajou a convite do BES

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29.03.2011 23:59