Teixeira dos Santos: “País tem que responder a este ataque dos mercados” 
27.04.2010 - 17:30 Por PÚBLICO
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, reagiu ao corte do rating da República portuguesa pela Standard & Poor’s, dizendo que “este é um momento decisivo” e que “o país tem de responder a este ataque dos mercados”.
Numa reacção transcrita pela página de Internet do Diário Económico, o ministro defende que “é tempo de o Governo e os partidos, em especial o PSD, se entenderem quanto a isto: há que executar as medidas necessárias”.
De acordo com Teixeira dos Santos, “não é tempo para querelas inúteis. Há que focar a atenção naquilo que é e deve ser prioritário para o país pois as dificuldades da crise ainda não acabaram e o que importa é ultrapassá-las o mais rapidamente possível a bem da robustez e solidez da recuperação económica e do reforço da competitividade da economia portuguesa”.
O ministro, na declaração escrita, destaca que irá prosseguir com as medidas já anunciadas e que fará “o que for necessário para assegurar a eliminação do défice excessivo”.
De acordo com Teixeira dos Santos, “a decisão da agência de rating no sentido de baixar a notação de risco decorre do agravamento, provocado pela crise internacional, dos défices e das dívidas da generalidade dos países, em particular da zona euro”.
Horas depois de o comunicado ter sido enviado, Teixeira dos Santos pronunciou-se sobre esta questão em Luanda, onde está em viagem oficial. O ministro das Finanças disse ser provável que os mercados continuem a sofrer a “turbulência” dos últimos dias devido ao ataque dos mercados internacionais e à revisão em baixa do ‘rating’ de Portugal pela Standard & Poor’s.
“O dia de amanhã [quarta feira] vai ser a continuação do dia de hoje. A bolsa reagiu de forma muito negativa a estas notícias, como seria de esperar, e, neste contexto, em que os mercados têm revelado uma turbulência significativa (...) não vão serenar”, disse Teixeira dos Santos, citado pela Lusa, reagindo à decisão da Standard & Poor’s
“Os mercados têm revelado uma turbulência muito significativa no que se refere à dívida portuguesa e, pelo contrário, acho que uma notícia destas não vai serenar os mercados, que vão continuar a manifestar essa turbulência e esse nervosismo”, disse o governante.
A resposta imediata a esta situação, apontou Teixeira dos Santos, depois de ler o comunicado que foi preparado durante a tarde e logo após ter sido conhecida a decisão da Standard & Poor’s, passa por “avançar com um conjunto de medidas que dêem um sinal claro que Portugal está firmemente comprometido na solução mais rápida possível do seu défice”.
E complementou: “Medidas que claramente indiciem esse empenhamento e esse compromisso que temos de assumir que o défice é para baixar e é para baixar o mais rapidamente possível”.
Teixeira dos Santos lembrou que “o Governo já a semana passada anunciou um conjunto de medidas que vão nesse sentido” e afirmou que o Executivo vai continuar a “trabalhar nesse registo porque agora há que agir, há que actuar, há que tomar medidas”.
O ministro das Finanças, reforçou que o Governo está disponível “para tomar as medidas que forem necessárias”.
Sobre um eventual aumento de impostos, o governante respondeu: “Não equacionamos esse tipo de medidas e neste momento temos medidas focadas no corte da despesa e é nessas medidas que temos de concentrar a nossa atenção: reduzir o peso do Estado, reduzir a despesa e corrigir o défice excessivo”.
Prioritário é “avançar com as medidas que já estão definidas e sempre com o espírito aberto para que possamos com sucesso resolver esta situação”, adiantou o governante.
Notícia actualizada às 19.15


