Os testes de resistência que vão ser realizados a 91 bancos europeus incluem um cenário em que o Estado português deixa de pagar 8 por cento da sua dívida pública aos mercados.
De acordo com o jornal Financial Times esta é uma das ocorrências extremas que os reguladores financeiros querem verificar se o sector bancário europeu consegue suportar. O cenário para as obrigações do tesouro gregas é ainda mais grave, com um corte de 17 por cento nos pagamentos a efectuar, enquanto no que diz respeito à dívida pública espanhola, as perdas seriam de 5 por cento.
O acentuar da crise da dívida pública europeia, com uma eventual necessidade dos Estado de reestruturar o seu plano de amortização da dívida é uma das ameaças que enfrentam os bancos da zona euro, uma vez que estes detém em larga escala obrigações do tesouro denominadas em euros.
Inicialmente, para os testes de resistência (denominados como "stress tests"), estava pensado um cenário global para a dívida dos Estados da zona euro de 5 por cento, sem distinção entre países. No entanto, os bancos alemães e franceses protestaram e foram introduzidos cenários em que os cortes se fazem sentir principalmente na Grécia, Portugal e Espanha. Isto pode prejudicar os bancos portugueses que serão sujeitos aos testes (BES, CGD, BCP e BPI), que têm um peso mais significativo de obrigações portuguesas nos seus activos.
Os resultados dos testes de resistência, que estão a ser realizados por cada um dos reguladores financeiros nacionais, vão ser publicados no dia 23 de Julho. No entanto, as autoridades europeias já fizeram questão de dizer que as fragilidades mais claras surgem nos bancos de média dimensão espanhóis e alemães, que poderão necessitar de reforçar os seus capitais.



