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Calçado

Trabalhadores da Carpex recuam na greve, empresa quer suspender contratos

08.02.2012 - 20:23 Por Lusa

<p>Cliente holandês retirou encomenda de 700 mil euros</p>

Cliente holandês retirou encomenda de 700 mil euros

 (Foto: Nelson Garrido)
Os funcionários da fábrica de calçado Carpex tinham anunciado greve para hoje, mas, em casa desde segunda-feira por falta de trabalho, suspenderam a medida e avaliam agora se devem aceitar a proposta de suspensão dos contratos de trabalho.

Foi essa a medida que a direcção da empresa de Santa Maria da Feira apresentou esta tarde aos seus trabalhadores, que, segundo uma dirigente do Sindicato dos Operários da Indústria do Calçado, Malas e Afins dos Distritos de Aveiro e Coimbra, “estão em casa desde segunda-feira, por não terem trabalho na fábrica, e só devem voltar ao serviço quando aparecer alguma encomenda”.

Fernanda Moreira admite que os operários da Carpex “não sabem muito bem o que fazer”, mas adianta que “eles vão dar uma hipótese à empresa, que está a tentar recuperar e diz que quer pagar este mês os valores que estão em falta – o subsídio de Natal, 50% do salário de Dezembro e o salário todo de Janeiro”.

Carla Almeida, gerente da Carpex, declarou que a sua intenção “sempre foi proceder a uma suspensão dos contratos de trabalho por um mês ou dois, de forma a que os funcionários da casa mantenham o seu vínculo laboral enquanto a empresa tenta estabilizar a sua situação”.

A empresária adianta, contudo, que a proposta ainda não foi aceite pelo pessoal da fábrica, “que ficou de analisar o assunto e comunicar depois a sua decisão”.

Para Carla Almeida, a disponibilidade dos trabalhadores para a suspensão funcionaria como “um sinal de confiança para os clientes, para a banca e para todas as entidades responsáveis pelo funcionamento da empresa”, dado que “as negociações anteriores até estavam muito bem encaminhadas, mas foram por água-abaixo depois das notícias que vieram a público na comunicação social”.

A falta de liquidez da Carpex deve-se essencialmente a uma encomenda de 700 mil euros que, tendo absorvido toda a produção da empresa entre Janeiro e Outubro de 2011, ficou retida por um cliente holandês sem que esse tenha pago qualquer montante pela mesma.

Segundo informação da administração da fábrica, o caso foi remetido para o Ministério Público e é agora objecto de um processo-crime que responsabiliza por perdas na ordem de um milhão de euros tanto a empresa holandesa Craftwork (representante da marca norte-americana Dickies) como a transportadora portuguesa Jetromer e o agente José Montenegro.

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