Turbulência nos mercados leva bolsa para a sexta sessão em queda 
15.11.2011 - 18:20 Por Pedro Crisóstomo
Juros da dívida italiana a dez e a cinco anos voltaram a subir para o patamar dos 7%
(Paolo Bona/Reuters)A bolsa de Lisboa fechou pela sexta sessão consecutiva em baixa, a acompanhar a tendência das praças europeias com uma queda de 0,78%. A pressão dos mercados de dívida levou os juros das obrigações espanholas para novos máximos, a dívida italiana para o patamar dos 7% e, com isso, Madrid e Milão desvalorizaram mais de 1%.
O PSI-20 acompanhou a tendência negativa das praças europeias, mas, mesmo com 17 cotadas a negociar em baixa, caiu menos do que as outras bolsas de referência.
A Sonae Indústria (do grupo do PÚBLICO) foi a empresa que mais caiu no PSI-20 (perdendo 5,02% do valor), seguida da Altri (uma desvalorização de 3,98%) e da Sonaecom (uma queda de 3,86%).
Das cotadas que fecharam em alta, o BCP destacou-se com uma subida de 3,77%, colocando as acções a valerem de novo 11 cêntimos. A instituição liderada por Carlos Santos Ferreira foi, de resto, o único título da banca que negociou em terreno positivo no fecho da sessão: o Banif caiu 3,17% (para 0,275 euros), o BES 1,57% (para 1,25 euros) e o BPI 1,2% (para 0,41 euros).
A maior descida na Europa registou-se na bolsa de Atenas, que terminou com um tombo de 3,57%, mas a maioria das praças fechou com perdas a rondar 1% e 2%: Milão 1,08%, Amesterdão 1,34%, Madrid 1,61%, Paris 1,92%. Mais próximo da queda lisboeta, Frankfurt terminou com uma desvalorização de 0,87%.
As descidas nas praças de Madrid e Milão acontecem numa altura em que as duas economias estão especialmente vulneráveis à desconfiança dos mercados financeiros. Hoje, Espanha foi ao mercado buscar fundos numa emissão de dívida que custou ao Tesouro juros a taxas recorde desde 1997. E nos mercados secundários, Espanha registou uma subida das taxas de juro da dívida soberana para valores recorde.
As Obrigações do Tesouro espanholas a dez anos escalaram para os 6,371%, patamar próximo da barreira psicológica dos 7% que levou a Grécia, a Irlanda e Portugal a pedir a intervenção externa vendo os custos do financiamento nos mercados em níveis insuportáveis a prazo. As taxas de juro a cinco e a dois anos bateram também novos máximos e estão próximas dos 6% (5,913% e 5,768%, respectivamente).
Ao mesmo tempo que os mercados voltam a focar-se em Espanha, a quarta maior economia europeia, os investidores não retiram a pressão sobre Itália. Na semana passada, os juros dispararam para além da barreira dos 7% e hoje voltaram a esse nível nas maturidades de dez e cinco anos. Os investidores pedem agora juros de 7,132% e 7,2% pelas transacções naquelas maturidades. Estes valores dizem respeito às taxas implícitas às operações concretizadas hoje nos mercados secundários ou a operações de quem foi comunicado ao mercado a intenção de realizar (e que podem não ter acontecido).
No meio da desconfiança dos mercados, Peter Bofinger, economista-chefe do maior banco alemão, o Deutsche Bank, defendeu que o Banco Central Europeu (BCE) se deve tornar o credor de último recurso se a situação europeia puser em causa o sistema financeiro europeu, noticiou a Reuters.
A autoridade monetária da zona euro está desde Agosto a comprar títulos de dívida italiana e espanhola nos mercados secundários, mas não se comprometeu, como pedem alguns analistas, com um programa mais definido com outras medidas não convencionais de combate à crise e de estímulo económico à imagem das atribuições do banco central norte-americano (Fed) ou do reino Unido. Na Semana passada, aliás, o BCE diminuiu para metade a compra de dívida, quando a crise Italiana levou os juros da dívida do Estado para o pico dos 7%.


