O vice-presidente da Comissão Europeia, Joaquín Almunia, admite que a União Europeia (UE) reagiu tarde ao problema grego e alerta que a atitude para com a Grécia tem sido "andar com a bola, mas sem concretizar".
"Dois meses e meio [desde o sim do Conselho Europeu] é uma eternidade para uma situação como esta. Temos que reconhecer isso e aprender com a experiência. Não estávamos suficientemente preparados para enfrentar uma crise como esta", admitiu em declarações à rádio Cadena SER
Almunia reconheceu que a situação da Grécia está a afetar outros países da zona euro, entre eles Espanha que, apesar de ser uma economia de "Liga dos Campeões", tem a má sorte de "ser atacada pelos mercados" devido ao problema grego. "Mas não é só Espanha. Também há muitas outras economias da zona euro e espero que as coisas não vão mais além. Estamos a sofrer por não termos podido controlar a tempo a situação grega", disse.
Questionado sobre os problemas colocados pela Alemanha para avançar no resgate à Grécia, Almunia disse que alguns dos argumentos desse país têm que ser tidos "muito em conta".Entre eles o facto de que a Grécia não demonstrou ter a responsabilidade que devem ter todos os países que estão na moeda única. "Este princípio ninguém o vai esquecer depois desta crise", afirmou.
Sobre o plano de ajuda à Grécia, Almunia mostrou-se convicto que as negociações cheguem a bom termo antes do final da semana.
Almunia disse ainda que os países europeus têm que avançar com decisões importantes, como a consolidação fiscal, porque os mercados, em situações como esta "são mais míopes" que normalmente. "Não olham para os detalhes, mas vêm massas difusas de problemas", afirmou.
Considerando que a crise financeira "não terminou de todo", o vice-presidente da Comissão e comissário da Concorrência salientou que continuam problemas por resolver."Temos uma crise de dívida pública na Grécia e o nervosismo dos mercados está agora concentrado nos mercados da dívida. Tivemos que ajudar o sistema financeiro e agora são eles que levam as mãos à cabeça pelo nível de endividamento público. Estes paradoxos existem", afirmou.



