Ulrich diz que viabilização OE não assegura abertura imediata dos mercados 
29.10.2010 - 19:08 Por Cristina Ferreira
Em 2011 Portugal vai entrar em recessão, defende o presidente do BPI, Fernando Ulrich, o que é “inevitável” dadas as medidas de austeridade que vão ser adoptadas. E admite que mesmo após a aprovação do Orçamento do Estado os mercados internacionais possam continuar fechados para a banca nacional até que o Governo dê garantias de uma boa execução orçamental.
“Nas análises que tenho lido, identifico-me com as que prevêem que Portugal venha a entrar em recessão” e menos com as que preconizam “o caminho da estagnação ou do crescimento lento”, explicou o presidente do BPI, que revelou as contas trimestrais.
Para Ulrich as reformas que vão ser adoptadas em Portugal são de igual amplitude às seguidas na Grécia, razão pela qual não antevê que possa "haver crescimento na economia nacional em 2011”. E admite que 2012 não seja ainda “um ano muito favorável”, pelo que o BPI está “a trabalhar nestes cenários.”
Sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2011, Ulrich considera que é muito importante que Portugal tenha um OE, que “é uma condição necessária, mas não suficiente, para acabar com as restrições ao financiamento da banca portuguesa nos mercados internacionais". Mas avisa que depois da aprovação os mercados “tanto podem abrir no dia seguinte, como daqui a seis meses”, pois podem querer esperar pelos resultados da execução das medidas, até porque, lembrou, Portugal não fez os ajustamentos esperados em 2010 (a despesa subiu).
Fernando Ulrich salientou que o banco neste momento está a obter liquidez sobretudo junto dos clientes (recursos), e, a grande distância, através do BCE. No final de Setembro, o financiamento líquido obtido pelo BPI junto do BCE ascendia a dois mil milhões de euros, o que traduz numa queda de 500 milhões de euros face a 2009.
Actualmente o BPI possui uma posição credora líquida no mercado monetário interbancário de 400 milhões de euros.
Em todo o caso, o banqueiro afirma que “Portugal tem todas as condições” para "não necessitar da vinda do FMI”, uma via fundamental para dar confiança aos mercados. Porquê? “Porque um país que é capaz de se governar sozinho inspira maior credibilidade do que aquele que não é capaz.” Depois de quebrada a confiança é muito difícil de recuperar, observou. Ulrich recusou entrar em polémicas e disse que “é importante concentrar esforços para colocar o país na trajectória certa”.
Com lucros trimestrais de 144,7 milhões de euros (Tier 1 de 8,7 por cento e Core Tier 1 de 8,2 por cento), uma subida homóloga de 10,8 por cento, o presidente do BPI salienta que, mesmo no actual quadro, a margem financeira cresceu 4,8 por cento e as comissões 4,4 por cento, tendo as imparidades caído ligeiramente. Já o produto bancário diminuiu 3,6 por cento, “por causa dos resultados em operações financeiras, que foram inferiores”, tendo os recursos totais de clientes aumentado 0,9 por cento, o equivalente a 323 milhões de euros. O crédito a clientes cresceu 700 milhões de euros, mais 2,3 por cento face a igual período do ano passado. As responsabilidades com pensões do BPI estão cobertas a 106,5 por cento.


