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Governo diz que crescimento da despesa vai desacelerar

Tommaso Padoa-Schioppa é um empenhado defensor da divisa

Um dos pais fundadores do euro vai ajudar a Grécia de graça

22.08.2010 - 10:12 Por Paulo Miguel Madeira

<p>Tommaso Padoa-Schioppa</p>

Tommaso Padoa-Schioppa

 (Foto: DR)
Um dos pais fundadores do euro, o italiano Tommaso Padoa-Schioppa, é um empenhado defensor da divisa, ao ponto de estar a trabalhar de graça para ajudar a assegurar o futuro da moeda única, como assessor de política económica do primeiro-ministro grego, George Papandreou, com o objectivo de ajudar o país a sair da profunda crise em que mergulhou este ano.

Foi no princípio do mês que a Grécia anunciou que Padoa-Schioppa, 70 anos, antigo ministro das Finanças de Itália, fora escolhido por George Papandreou como "conselheiro do primeiro-ministro para assuntos económicos, especialmente macroeconomia, fiscalidade, banca e gestão da dívida", de acordo com o comunicado então emitido pelo Governo grego.

"Sou independente, não tenho conflitos de interesses e não vou ser pago pelo que vou fazer", disse Padoa-Schioppa acerca da sua nomeação, numa entrevista à agência Bloomberg em Milão, acrescentando que vai avaliar o sucesso da sua nova função pelo eventual crescimento da economia grega e melhoria da crise no país. O trabalho pro bono deste italiano dedicado a uma causa sobressai mais numa época em que a norma têm sido prémios multimilionários para gestores de grandes empresas, mesmo quando estavam a arruinar bancos e a levar Estados a endividarem-se maciçamente para socorrer o sector e a economia.

Antigo director-geral de Economia e Finanças da União Europeia, entre 1979 e 1983, vice-director-geral do Banco de Itália de 1984 e 1997, e membro do comité executivo do BCE entre 1998 e 2006, Schioppa tem um currículo de 37 anos de serviço público, que se iniciaram justamente no Banco de Itália, em 1968. Pelo caminho, ajudou a Itália a baixar o seu défice público, com vista à sua participação no euro.

A sua nomeação foi bem recebida por vários responsáveis ouvidos pela Bloomberg. O antigo economista chefe do banco central alemão Otmar Issing, que é também um dos membros fundadores do conselho executivo do BCE, disse que, como antigo ministro de um país com problemas orçamentais continuados, "pode trazer uma experiência importante".

E Renato Filosa, antigo membro do conselho executivo do FMI, disse que ele "está lá para assegurar que o programa [de austeridade grego] não descarrila".

O grande descontrolo das finanças públicas gregas foi sendo conhecido desde final do ano passado, quando o Partido Socialista grego (o PASOK) ganhou as eleições legislativas, e a partir do início do ano os mercados interiorizaram que o país poderia entrar em incumprimento e os juros da sua dívida pública dispararam. Simultaneamente, o euro desceu fortemente face ao dólar e os receios de que a crise da dívida grega alastrasse a outros países do Sul da Europa levou a que a viabilidade a prazo da moeda única europeia começasse a ser posta em causa.

A UE e o FMI acabaram por conceber um pacote de ajuda financeira de emergência de 110 mil milhões de euros, que deverá permitir ao país pôr as contas públicas em ordem e gerar capacidade para pagar a sua dívida. Mas isto tem subjacente um fortíssimo plano de austeridade, que envolve riscos vários. E é aqui que entra a ajuda de Padoa-Schioppa a George Papandreou.

Há mesmo quem acredite que a tarefa é impossível, e que o papel desta gigantesca ajuda financeira é permitir que o país vá a caminho de um incumprimento controlado. É o caso de Simon Johnson, antigo economista-chefe do FMI e actualmente professor na escola de gestão do MIT. "Padoa-Schioppa vai ajudar", disse à Bloomberg.

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Quem semeia ventos...

A causa principal da crise grega está provavelmente na adopção da moeda única, ...

Anónimo

23.08.2010 15:21