Vendas no comércio caem 5,5% e emprego no sector atinge valor mais baixo dos últimos dez anos 
30.08.2011 - 14:50 Por Ana Rute Silva
Vendas no retalho continuam a descer desde o início do ano
(Paulo Ricca/PÚBLICO)As vendas no comércio a retalho caíram 5,5 por cento em Julho, face ao mesmo mês do ano passado, confirmando uma tendência de queda que se verifica desde o início do ano.
De acordo com os dados hoje revelados pelo INE, em Junho, o sector tinha registado uma descida de 5,6 por cento. Este ano, e comparando com o mês homólogo, o volume de negócios teve o seu pior momento em Março (quebras de 7,6 por cento das vendas).
É no comércio não alimentar que a contracção é mais acentuada. O índice do INE, que mostra a evolução do mercado de bens e serviços no sector com base no Inquérito Mensal ao Comércio, revela que o volume de negócios neste agrupamento diminuiu 8,2 por cento, ainda assim, menos do que em Junho, altura em que a descida foi de 9,8 por cento. Já no retalho alimentar, a quebra face a Julho de 2010 foi mais acentuada, atingindo o 2,6 por cento (foi a variação homóloga mais negativa do ano).
Quanto à evolução do mercado de emprego, também mantém e acentua a tendência negativa. O índice desceu 1,3 por cento em comparação com o mesmo mês do ano passado, depois de em Junho a quebra registada ter sido de 0,9 por cento. No retalho alimentar a variação homóloga foi nula, enquanto que no não alimentar houve uma descida de 2,3 por cento. Na remuneração, a descida foi de 3,9 por cento; em Junho tinha sido de 1,6 por cento negativo.
Emprego no nível mais baixo dos últimos dez anos
A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) já se manifestou preocupada com a situação do emprego no sector. Citando os dados mais recentes do INE, a CCP refere que o nível de desemprego não pára de crescer. Se no primeiro trimestre de 2010 se contabilizavam 87 mil desempregados, no primeiro trimestre deste ano são já 103 mil, “o que significa que em apenas um ano houve um aumento de 16 mil desempregados”.
Em comunicado, João Vieira Lopes, presidente da CCP, defende que a liberalização dos horários de funcionamento, em vigor desde 15 de Outubro do ano passado, não se traduziu na criação de mais postos de trabalho. “Estes números são preocupantes e vêm corroborar o que sempre defendemos, ou seja, que o aumento de oferta comercial e a liberalização da abertura do comércio ao domingo não são factores geradores de emprego.
A CCP diz ainda que ao mesmo tempo que triplicou para quatro milhões de metros quadrados a área de grandes superfícies, o nível de emprego no comércio “atingiu o nível mais baixo dos últimos dez anos”. “Assiste-se ainda na actual conjuntura a uma cada vez maior retracção do consumo, que poderá ser agravada a muito curto prazo com um aumento do IVA”, comenta João Vieira Lopes.


