Vice-presidentes da bancada PS tentam "travar" declarações de voto “em catadupa” no orçamento 
26.11.2010 - 02:11 Por Nuno Simas
Francisco Assis convocou a reunião da bancada para “fazer uma avaliação do Orçamento do Estado (OE)” de 2011. Não criticou abertamente a proposta de alteração ao OE que abre a porta a uma excepção aos cortes salariais de cinco por cento nas empresas públicas.
O líder parlamentar do PS admitiu que a proposta “não teve aceitação na opinião pública” e que deveria ter sido preparada “com mais tempo”. Na reunião da bancada, quinta-feira à noite, a multiplicação de declarações de voto no Orçamento, hoje no dia da votação final, foi abordada, mas por dois membros da direcção: Renato Sampaio e Manuel Seabra. E em termos duros.
“Tenho a percepção que a excepção aos cortes não teve aceitação na opinião pública, mas não estamos aqui só para tornar medidas de curto prazo ou optar pelo caminho mais populista. No entanto, acho que tudo isto devia ter sido preparado com mais tempo”, disse Francisco Assis aos deputados, de acordo com relatos feitos ao PÚBLICO.
Durante a reunião, pelo menos dois deputados – Marcos Sá e Luís Miguel França – anunciaram que iria apresentar as suas declarações de voto.
Dois vices de Assis responderam com dureza aos críticos. Renato Sampaio afirmou que “há camaradas que só se preocupam em interiorizar a mensagem da oposição” e que “tentam promover-se com tristes manifestações populistas”. E deixou um aviso: “Espero que amanhã o não tenhamos declarações de voto em catadupa.”
Manuel Seabra, outro vice-presidente, disse esperar que o grupo parlamentar não dê “mais um triste espectáculo das declarações de voto” – “a que infelizmente estamos habituados”.
Coube a Jorge Strecht questionar a argumentação dos críticos quanto ao alargamento da excepção a empresas públicas, caso da Caixa Geral de Depósitos. “Quero que me digam onde diz que a CGD ou outra qualquer empresa tem excepção”, questionou deputado e vice-presidente da bancada. Strecht lembrou as posições assumidas pela UGT sobre o orçamento, que alertaram para as “disparidades inaceitáveis” com o alargamento da redução dos salários ao Sector Empresarial do Estado”. Ou ainda da Frente Sindical que via nessa medida “uma ingerência na autonomia privada de que devem gozar as entidades sujeitas ao direito privado”.


