O ministro da Economia, Vieira da Silva, afirmou hoje que a queda de Portugal no ranking da competitividade do Fórum Económico Mundial, para 46.º lugar, tem a ver com os efeitos da crise económica global.
“Temos que analisar com detalhe para ver o que se passou, mas tanto quanto sei é um movimento que é alargado a outros países europeus”, disse o governante à margem da Conferência Gira 2010, que decorreu no ISCTE-Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa.
“Sabemos que a Europa, em comparação com outras zonas do mundo, sofreu com maior intensidade os efeitos da crise económica, ainda que Portugal tenha sido dos países onde ela foi menos profunda. Creio que foi esse o factor de enquadramento macroeconómico que influenciou que alguns países tenham tido uma posição diferente na apreciação do Fórum Económico Mundial”, sustentou Vieira da Silva.
O ministro realçou também que “outros [países] terão tido uma evolução mais negativa do que Portugal”, que caiu três lugares.
A Conferência Gira 2010, organizada pelo ISCTE, procurou debater a inovação a partir da actividade desenvolvida nas áreas de governação empresarial, da responsabilidade social e do ambiente, na perspectiva da investigação, ensino e consultoria.
Suíça na liderança
O ranking que o Fórum Económico Mundial realiza todos os anos foi hoje divulgado em Pequim e faz a análise de 139 economias de todo o mundo.
Ao nível internacional, a Suíça sobressai, liderando o ranking pelo segundo ano consecutivo. Os Estados Unidos caíram duas posições, passando para 4.º lugar, e foram ultrapassados pela Suécia e por Singapura.
Pela negativa, como factores que afectam os negócios em termos de competitividade, o Fórum Económico Mundial destacou, no caso de Portugal, a existência de uma burocracia ineficiente do Estado, as restritivas leis laborais e a instabilidade política.
Vieira da Silva referiu ainda que a competitividade é uma questão “central” na economia portuguesa e tem duas dimensões – a da conjuntura e da estrutura –, mas “o país está a trabalhar no sentido de superar as debilidades nestas duas dimensões”.
“Se queremos vencer a batalha da competitividade, temos que investir cada vez mais na simplificação da administração e da relação com as empresas e, principalmente, na qualificação dos agentes – trabalhadores, empresas e instituições – bem como na qualificação sempre ligada à capacidade de inovação”, disse ainda Vieira da Silva.
“Temos de estar presentes nos segmentos mais exigentes da procura internacional, pois é aí onde iremos ganhar a batalha da competitividade externa”, acrescentou.



