Juros a cinco anos com novo recorde a tocar nos nove por cento 
29.03.2011 - 18:08 Por Pedro Crisóstomo
Pedido de ajuda justificava-se se as OT a dez anos passassem os sete por cento, dissera Teixeira dos Santos
(Nuno Ferreira Santos/arquivo)O corte no rating de Portugal por parte da Standard & Poor’s (S&P) está fazer subir os juros da dívida pública portuguesa, tanto nas maturidades de curto como de longo prazo. As obrigações a dez e a três anos mantêm a trajectória de escalada acima dos oito por cento e as a cinco anos quase tocam nos nove por cento.
Se a pressão dos investidores e o corte da notação a bancos e empresas tinha colocado ontem os juros implícitos das Obrigações do Tesouro (OT) em novos recordes, a nova revisão em baixa, hoje, do rating português pela S&P acentuou o efeito negativo no mercado de dívida secundária, com os juros exigidos pelos investidores para deterem títulos de dívida a cinco anos a negociar nos 8,949 por cento.
Mais uma vez, os curtos e longos prazos quase anularam as diferenças. Segundo o terminal da Reuters, os juros das obrigações a dez anos negociavam nos 8,216 por cento, depois de ontem terem ultrapassado o tecto dos oito por cento – já longe do patamar psicológico (sete por cento) definido pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, como limite que justificaria um eventual pedido de ajuda externa a Portugal.
Pouco abaixo desse valor seguiam as taxas a três anos, que chegaram a 8,649 por cento – estavam a rondar os quatro por cento no início do ano. Nas restantes maturidades (prazos mais curtos – a um e dois anos e a seis meses), os juros das transacções ou intenções de negócio não tocaram nos oito por cento, mas a escalada manteve-se.
Os juros a dois anos ultrapassaram a barreira dos sete por cento na última sexta-feira (dois dias depois do chumbo do novo Programa de Estabilidade e Crescimento e da demissão de José Sócrates) e desde aí não pararam de subir: ontem estavam nos 7,318 por cento e hoje escalaram até aos 7,776 por cento.
As OT a um ano ultrapassaram pela primeira vez este ano o patamar dos seis por cento e as obrigações a seis meses avançaram para 4,717 por cento – estavam ontem nos 4,046 por cento.


